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Principais autarquias gastam €1 milhão com a iluminação de Natal

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NATAL. Foram instalados 2,1 milhões de lâmpadas, 99% de baixo consumo (LED) e 1% de mini lâmpadas incandescentes, em 34 locais da capital

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Évora, Faro e Loures optaram por poupar o dinheiro com as luzes natalícias. Lisboa e Porto são os mais gastadores

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Se as luzes natalícias servirem de barómetro para medir o estado de espírito e financeiro das autarquias, à primeira vista elas estão a meio caminho entre os recentes anos de crise económica e os mais distantes de festa non stop.

Há casos para todos os gostos: desde os municípios que gastaram mais dinheiro este ano na iluminação (Setúbal ou Matosinhos), aos que optaram por não desembolsar um cêntimo para iluminar as suas praças, ruas e rotundas (Loures, Évora e Faro) até aos que decidiram continuar a investir na festa mas cortando um pouco mais nos gastos (Braga ou Oeiras).

Os custos totais com a iluminação natalícia rondam o total de um milhão de euros entre as doze câmaras municipais que revelaram as contas ao Expresso Diário. São elas Lisboa, Porto, Amadora, Cascais, Braga, Oeiras, Setúbal, Matosinhos, Almada, Évora, Loures e Faro.

Com um orçamento de 320 mil euros, Lisboa é de longe a que mais investiu nas festividades. A verba “é semelhante à do ano passado”, adianta o gabinete de comunicação de Fernando Medina. Foram instalados 2,1 milhões de lâmpadas, 99% de baixo consumo (LED) e 1% de mini lâmpadas incandescentes, em 34 locais da capital. Estarão ligadas até ao Dia de Reis, a 6 de janeiro.

No Porto, foram investidos 118 mil euros neste tipo de iluminação, que abrange 41 ruas, largos e praças da cidade. É o valor mais alto desde 2013, ano em que a autarquia gastou 80 mil euros nas luzes (que animaram 26 ruas). No ano passado, o custo com as iluminações ficou-se nos 100 mil euros. Neste Natal de 2015, há 348 elementos decorativos, mais 40 do que em 2014, que depois das 17h30 são religiosamente iluminados. As luzes vão apagar-se a 10 de janeiro do próximo ano.

Amadora e Cascais são as duas autarquias que se seguem nas que mais gastam com o Natal. Em ambos os casos, mantiveram os custos do ano anterior (rondam os cem mil euros em cada uma delas). E optaram também pelas lâmpadas LED, mais ecológicas. Também Almada não mexeu nas contas em relação a 2014, continuando a gastar 70 mil euros.

As restrições financeiras foram o argumento usado pelos responsáveis das câmaras de Évora e de Loures para não terem iluminado as árvores e os jardins neste Natal. “Assumimos que não há luzes devido ao atual quadro financeiro. Elas não são consideradas absolutamente indispensáveis para a a autarquia”, resume uma fonte oficial do município do Alto Alentejo. Em Loures, o discurso é muito semelhante.

Também a autarquia de Faro optou por não gastar dinheiro, “uma vez mais”, na iluminação elétrica. Não por constrangimentos financeiros, asseguram, mas de modo a garantir “uma folga no orçamento” local. “Preferimos resolver problemas concretos como o da rede viária”, garante um assessor da presidência.

A cortar, a somar ou a manter

Menos radicais, os municípios de Braga e de Oeiras têm optado por diminuir nos últimos anos os custos com a festa. Em 2010, a câmara da Área Metropolitana de Lisboa gastou 110 mil euros na iluminação elétrica. Cinco anos depois, o orçamento é de 25 mil euros, quase cinco vezes menos. A autarquia nortenha fez o mesmo caminho descendente, com valores próximos aos de Oeiras: passou dos 87 mil euros de 2011 para os 36,9 mil deste ano. “Tem havido um esforço para aumentar o número de ruas iluminadas a uma preocupação para reduzir os custos totais”, sintetiza uma fonte oficial da autarquia bracarense.

Em Setúbal, pelo contrário, foram adicionados sete mil euros nas verbas destinadas às luzes natalícias. E em Matosinhos o aumento foi até superior. “As iluminações de Natal têm um orçamento de 70.800 euros (mais IVA). Nos anos de 2013 e 2014 o orçamento foi de cerca de 43 mil euros (mais IVA)”, diz o gabinete de comunicação. E explica as razões para a subida nos gastos: “O acréscimo resulta do aumento de zonas abrangidas, já que haverá iluminações em todas as freguesias do concelho (no ano passado apenas houve em Matosinhos e Leça da Palmeira). Haverá, assim, 55 locais iluminados: as principais artérias comerciais e de circulação do concelho, rotundas, praças e locais emblemáticos, com múltiplas estruturas típicas da época. Haverá, por exemplo, os 33 arcos, 30 centros especialmente concebidos à medida dos locais e 90 árvores naturais iluminadas, entre outros.”