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Sindicato dos jornalistas apresenta queixa à ERC contra administração do “Sol” e do “i”

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Divulgação nos sites do “i” e do “Sol” da gravação do plenário onde foi anunciado o despedimento de cerca de 100 trabalhadores dos dois jornais motiva queixa ao regulador dos media. “A realidade consegue sempre ultrapassar a ficção”, lamenta o Sindicato dos Jornalistas

A direção do Sindicato dos Jornalistas (SJ) anunciou esta sexta-feira que irá apresentar uma queixa na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) contra a administração dos jornais "Sol" e "i". A decisão foi motivada pela divulgação nos sites dos dois jornais da gravação do plenário da passada segunda-feira, no qual foi anunciado o despedimento de dois terços dos trabalhadores da Newshold.

Em comunicado divulgado esta sexta-feira de tarde, o Sindicato diz que "a realidade consegue sempre ultrapassar a ficção". Mas, acrescenta, "há dias em que esta frase assenta com particular vigor ao nosso quotidiano já repleto de abusos aos mais básicos direitos dos jornalistas".

"Esta quarta-feira, 2 dezembro, o país assistiu a um desses momentos que ficam na história recente do jornalismo português pelas piores razões. Foi disponibilizado nos sites do jornal 'i' e do jornal 'Sol' a gravação áudio de uma longa reunião em que um dos administradores da Newshold, Mário Ramires, anuncia aos trabalhadores o fecho das publicações 'i' e 'Sol' e o despedimento de cerca de dois terços dos trabalhadores", critica o SJ.

Remetendo a análise ao conteúdo da reunião para fase posterior, o SJ entende que a decisão de tornar pública esta gravação "por si só já é suficientemente reveladora: simboliza – mais dúvidas houvesse – o que todo este caso contém de preocupante". "Como é possível os responsáveis editoriais e da empresa acharem que têm direito de publicar um momento grave e íntimo destes para a vida de dezenas e dezenas de trabalhadores? E, o que é ainda mais inacreditável, sem autorização expressa dos trabalhadores, como apurou de forma cabal o SJ", lê-se no documento.

"Será que os responsáveis editoriais e da empresa não se dão conta da violência, da coacção, do abuso? Acham que fizeram boa figura? Que ficam bem na fotografia? Consideram que é um assunto de interesse público, de tal forma que merece ser publicado no site dos respectivos jornais? O SJ considera que esta decisão ultrapassa todos os limites da decência, abre grave precedente e merece uma análise específica. Por isso já está a diligenciar a apresentação de uma queixa à Entidade Reguladora para a Comunicação Social, pedindo uma avaliação urgente da situação", conclui o SJ.

O despedimento de cerca de 100 trabalhadores do "Sol" e do "i" surgiu na sequência da decisão dos acionistas da Newshold - ou seja, a família Madaleno, liderada por Álvaro Sobrinho - abandonar a sua participação nestes projetos editoriais. Para tentar viabilizar a edição dos dois títulos, o até agora administrador da Newshold Mário Ramires vai criar uma nova empresa, da qual será acionista único, e para a qual transitarão apenas 66 trabalhadores dos antigos quadros dos dois jornais. O financiamento do projeto nesta primeira fase será assegurado por um empréstimo dos antigos acionistas da Newshold.

Na mudança de uma empresa para a outra, os 66 trabalhadores que vão assegurar a continuidade dos jornais sofrerão, no entanto, cortes substanciais nos vencimentos e regalias que recebiam até agora.

Aos trabalhadores despedidos, Mário Ramires garantiu que serão pagas as indemnizações devidas, embora não tenha assumido um prazo para o efeito.