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Sextas-feiras negras há muitas!

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DAVID RYDER/REUTERS

Afinal, onde é que se compra a tecnologia mais barata? Em dias fora de desconto, a internet é a melhor opção. Mesmo com portes de envio

Antes de termos importado o Halloween, deixámo-nos conquistar pela sexta-feira negra. O epíteto colocado ao dia mais esperado da semana até pode parecer negativo, mas não é. A “sexta-feira negra” é o nome que os norte-americanos dão ao dia em que começa a temporada de compras de Natal e que se caracteriza pelos grandes descontos praticados pelos retalhistas. E são grandes descontos. Tão grandes que o YouTube está cheio de vídeos onde multidões se atropelam para pôr as mãos nessas benesses comerciais temporárias.

Os retalhistas portugueses decidiram importar a estratégia mas, por cá, a coisa tem menos efeito. E é fácil perceber porquê. Estamos habituados a letras garrafais que enchem as montras das lojas, as caixas de correio, os vidros dos nossos carros, o ecrã do computador e nos chegam ao bolso via SMS. “Fim de semana sem IVA!”; “20% de desconto direto”; “20% de desconto em cartão”; parangonas que têm um único objetivo: levar-nos à loja. No entanto, há outro efeito que, creio, os retalhistas ainda não perceberam. Ou, se perceberam, não o têm em conta.

A verdade é que estamos tão habituados a ter descontos em loja que ficámos imunes às campanhas da “sexta-feira negra”. Pior, acredito que os consumidores protelam as suas compras em antecipação do desconto seguinte. Ficámos viciados em descontos, e os retalhistas estão dependentes deles. Ou seja, só compramos perante uma quebra de preço e o vendedor só vende quando pratica um preço mais baixo. Alguns distribuidores já me confidenciaram que o “desconto corrente” não é um bom negócio para ninguém.

As margens baixam consideravelmente para o fabricante, para o distribuidor e para a loja – no entanto, este último elemento da cadeia acaba por ser o menos prejudicado, sendo os outros dois a assumir grande parte do prejuízo. E o cliente? Aquele que ficou à espera de comprar um iPhone mais barato? Esse, que somos nós, consegue realmente poupar uns euros em relação ao preço inicial. O problema é que, muitas vezes, o preço inicial já está a ser inflacionado, de modo a alimentar a erosão de valor antecipada pelo mercado.

Quer isto dizer que, para tentar manter as margens nos equipamentos, os preços têm de subir. Sim, a tecnologia paga-se cara em Portugal. Pior, há preços que se mantêm nesta altura (havendo apenas uma recolagem de autocolantes) e, até, cadeias de lojas que praticam preços diferentes. Já consegui comprar, em dia de desconto, um equipamento mais barato quase 200 euros porque optei por comprá-lo em Telheiras em vez de o fazer no Colombo. Reforço: ambas as lojas eram da mesma cadeia.

E, afinal, onde é que se compra a tecnologia mais barata? Em dias fora de desconto, a internet é a melhor opção. Mesmo com portes de envio, uma visita à Amazon espanhola ou à inglesa proporcionam sempre boas oportunidades. O eBay continua a ter uma grande oferta de novos e usados. No entanto, chamo a atenção para outro pormenor. Em Portugal, retalhistas como a Fnac, por exemplo, já praticam descontos específicos para compras online. Quer isto dizer que existem preços mais competitivos para quem compra eletronicamente, sem sair de casa.

A estratégia do desconto, em loja e online, tomou conta do mercado nacional e não há forma de voltar atrás. Ou seja, o português para comprar tem de perceber que está a pagar menos. Mesmo que, na maioria das vezes, a redução de preço não seja mais que uma mera ilusão.