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É necessário assegurar a qualidade de vida dos reformados, diz OCDE

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gonçalo rosa da silva

O relatório Panorama das Pensões 2015 refere que, nas próximas alterações aos regimes de pensões, os países devem focar-se na "sustentabilidade social" e no risco de pobreza da população com mais de 65 anos

A OCDE alerta que as reformas dos sistemas de pensões realizadas na última década melhoraram a sustentabilidade das contas públicas dos países membros, mas é necessário assegurar também a qualidade de vida dos reformados.

De acordo com o relatório Panorama das Pensões 2015, divulgado esta terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), os países fizeram importantes avanços na melhoria da sustentabilidade dos seus sistemas de pensões, mas as próximas alterações aos regimes de pensões devem focar-se na "sustentabilidade social" e no risco de pobreza da população com mais de 65 anos.

Entre as medidas-chave introduzidas para melhorar as contas dos sistemas de pensões, a OCDE destaca o aumento da idade da reforma assim como as limitações às reformas antecipadas, mas os desafios financeiros dos sistemas de pensões são apenas "uma parte da equação".

"A outra parte deve preocupar-se em garantir se no futuro os sistemas nos diferentes estados-membros serão suficientes para dar qualidade de vida adequada à população com mais de 65 anos", refere.

A organização que integra 34 países reconhece que "a maior parte dos pensionistas da OCDE têm atualmente um nível de vida tão bom como o da população média" nos respetivos países, mas avisa que esta situação está a mudar.

A maioria dos trabalhadores que estão agora a entrar na reforma tiveram "quase sempre empregos estáveis", mas a OCDE lembra que "o trabalho de uma vida" é um bem cada vez mais escasso na atualidade e por isso as coisas vão mudar.

A situação é especialmente mais delicada nos trabalhadores mais jovens pelo elevado nível de desemprego nesta faixa etária, uma vez que receberão pensões menores quando se reformarem devido ao tempo em que ficaram sem trabalho.

Para a OCDE, é necessária assim uma "coordenação consistente e coerente" de diversas políticas, desde laborais a financeiras, para assegurar que o percurso profissional das pessoas seja acompanhado de medidas "mais efetivas para ajudar a maximizar as suas oportunidades de reformar-se de uma forma confortável no futuro".