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Um, dois. Um, dois. Um, dois. Obama pede ao mundo inteiro para não esquecer este limite

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YOAN VALAT / EPA

Obama confessa e expia pecados ambientais dos norte-americanos. Explica que poluem demasiado, anuncia que já chega. E pede ajuda. Líderes mundiais estão reunidos em Paris e o 2 é o número da salvação: políticos e especialistas procuram um acordo para limitarem o aquecimento global a dois graus Celsius até ao final do século, por referência ao período anterior à Revolução Industrial. Um, dois, um, dois - não pode haver mais Celsius que estes, apela Obama, que quer responder a esta pergunta - “tarde demais para salvar o ambiente?” - com as palavras de Martin Luther King - “não existe tal coisa de ser tarde demais”

O Presidente norte-americano, Barack Obama, apelou esta segunda-feira em Paris a todos os líderes mundiais para "estarem à altura" dos desafios colocados pelas alterações climáticas, reforçando que chegou o momento de a comunidade internacional decidir salvar o planeta.

O líder norte-americano discursava na 21.ª Conferência Internacional do Clima (COP 21), organizada sob a égide das Nações Unidas, que começou esta segunda-feira em Bourget, no norte de Paris.

"Temos o poder de determinar o nosso futuro aqui e agora, mas só se mostrarmos que estamos à altura do desafio", defendeu o chefe de Estado norte-americano, dirigindo-se aos cerca de 150 governantes reunidos em Bourget.

O líder dos Estados Unidos, a primeira economia mundial e o segundo emissor mundial de gases de efeito de estufa (depois da China), reconheceu a influência do seu país no aquecimento global e assumiu "a responsabilidade de fazer algo" para contrariar tal cenário. Na intervenção, Obama rejeitou fortemente o argumento de que a luta contra as alterações climáticas será uma má notícia para a economia.

"Provámos que não há mais conflito entre um crescimento económico forte e a proteção ambiental", referiu. "Quebrámos os velhos argumentos da inação. (...) Isso deveria dar-nos esperança", prosseguiu Obama, que recordou as palavras do reconhecido ativista dos direitos civis norte-americano Martin Luther King. "Acredito nas palavras de Martin Luther King Junior de que não existe tal coisa de ser tarde demais", disse Obama, advertindo, no entanto, que quando o assunto são as alterações climáticas "esse momento está quase a chegar".

Para Obama, se os líderes internacionais "agirem aqui e agiram agora" não será tarde demais, frisando que as decisões agora tomadas terão repercussões nas próximas gerações, o que irá representar "uma recompensa gratificante".

Os Estados Unidos assumiram o compromisso de reduzir entre 26 a 28% as suas emissões de gases de efeito de estufa até 2025, em comparação a 2005. Ainda na intervenção, Obama expressou o seu apoio a França depois dos "terríveis atentados" do passado dia 13 de novembro. "Não só para levar à justiça a rede terrorista responsável pelos ataques [reivindicados pelo grupo extremista Estado Islâmico], mas também para proteger os nossos povos e defender os valores que nos fazem fortes e livres", afirmou.

Nesse sentido, Obama considerou que manter a realização da conferência de clima é "um ato de desafio" para aqueles que "querem destruir o mundo" atual. A COP 21, que vai decorrer até 11 de dezembro, tem como objetivo conseguir um acordo internacional sobre a redução de emissões de gases com efeito de estufa, responsáveis pelo aquecimento global e pelas suas consequências catastróficas, nomeadamente o aumento do nível do mar.

Limitar o aquecimento global a dois graus Celsius até ao final do século, por referência ao período anterior à Revolução Industrial, é a grande meta e, para muitos, a única forma de evitar os piores efeitos das mudanças climáticas. A cimeira realiza-se cerca de duas semanas depois dos atentados terroristas na capital francesa, que fizeram 130 mortos e centenas de feridos.