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A queda de Jardel nas teias da corrupção

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Mário Jardel na época em que jogava no Sporting

Mário Jardel foi suspenso do cargo de deputado estatual por suspeita de corrupção. Depois de cair em desgraça nos relvados, o antigo bibota foi agora apanhado na operação “Gol Contra”

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O antigo ídolo do FC Porto, pentacampeão nacional no final dos anos 90 e estrela do Sporting no precoce ocaso da sua carreira no dealbar da década de 2000, voltou a cair em desgraça, apanhado nas malhas da investigação batizada “Gol Contra”.

Mário Jardel, 43 anos, foi esta segunda-feira afastado do cargo de deputado estadual do PSD de Rio Grande do Sul , após vários mandatos judiciais de busca ao seu gabinete na Assembleia Legislativa, à sua residência, da mãe e de um dos irmãos. O raide de buscas passou ainda pela casa do chefe de gabinete do também deputado Roger Antônio Foresta e de duas assessoras fantasmas.

Segunda o site da “Veja”, o Ministério Público do Rio Grande do Sul suspendeu Jardel do exercício de deputado no mínimo por 180 dias, tendo detetado uma série de irregularidades no mandato do ex-jogador que chegou a ser chamado à seleção brasileira.

Na operação, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) terá descoberto indícios de crimes de falsificação de documentos, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As investigações apontam para uma rede criminosa instalada na Assembleia Legislativa estadual e que teria Jardel como maior beneficiário, num esquema supostamente conduzido pelo advogado e assessor parlamentar Christian Miller.

A atração pelo lado errado da vida

No pedido de suspensão do cargo público, o procurador-geral de Justiça, Marcelo Dornelles, refere que as investigações indicam um “exagerado apego do deputado Mário Jardel a toda e qualquer possibilidade de lucrar às custas do erário público”.

A investigação revela ainda indícios de fraude de diárias de viagens e deslocações. O goleador que voava sobre os centrais nas Antas parece, uma vez mais, decidido a não se livrar da sua marca inata de ídolo de pés de barro.

Depois de ter sido por duas épocas o melhor marcador da Europa (em 1999 pelo FC Porto e em 2002 pelo Sporting), Jardel acabou a carreira em Portugal numa fugaz passagem pelo Beira-Mar, já depois de ter representado vários clubes brasileiros sem fama nem glória. Ainda antes de abandonar os relvados, viu o seu nome associado ao consumo de drogas, álcool, dívidas de jogo e de pensão de alimentos aos filhos do lado de cá e de lá do Atlântico.

Há pouco mais de um mês, visitou Portugal em viagem oficial e regressou ao Brasil com 10 quilos de bacalhau na bagagem. Uma remessa tão clandestina como as nozes, conservas de peixe e queijo a que não resistiu.