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Ambientalistas e famílias marcham em Lisboa em defesa do clima

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Manifestantes exibem cartazes numa marcha em defesa do clima em Lisboa

MIGUEL A. LOPES/LUSA

A Marcha Global pelo Clima em Lisboa é uma das que se estão a realizar este domingo por todo o mundo, incluindo noutras cidades portuguesas, para chamar a atenção dos líderes políticos que vão estar na segunda-feira em Paris na sessão de abertura da conferência das Nações Unidas para o clima

Várias centenas de manifestantes partiram da praça Martim Moniz, em Lisboa, em direção à Alameda, numa marcha em defesa do clima que junta ambientalistas e famílias que empunham cartazes verdes.

Muitos chegaram à concentração de bicicleta, alguns com as crianças na parte de trás do velocípede, e todos queriam transmitir aos responsáveis políticos - portugueses, mas principalmente internacionais - que é indispensável avançar com medidas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e assim travar as alterações climáticas.

A Marcha Global pelo Clima em Lisboa é uma das que se estão a realizar hoje por todo o mundo, incluindo noutras cidades portuguesas, para chamar a atenção dos líderes políticos que vão estar na segunda-feira em Paris na sessão de abertura da conferência das Nações Unidas (ONU) para o clima, que vai decorrer até ao dia 11 de dezembro.

A presença da polícia era discreta, estando alguns agentes com motos e três carros visíveis. Quando a marcha começou, as bicicletas acompanharam, assim como os polícias, o movimento das pessoas que seguravam cartazes com frases como "primavera, verão, outono e inverno já é tudo a mesma estação", numa referência às mudanças do clima.

"Mudem o sistema, não o clima" era um conselho que alguns dos manifestantes defendiam, num ambiente descontraído de uma tarde de sol, ao som de alguns tambores, e de vozes a repetir frases de apelo aos responsáveis políticos para que avancem medidas para salvar o ambiente.

Por isso, defendem que "basta de conversa da treta, temos de salvar o planeta" e questionam "negociar o quê?" em relação às negociações da conferência da ONU.
Esta marcha, como as outras no resto do mundo, reflete o facto de "as pessoas terem a consciência de que nós fazemos parte do problema e é em nós que tem de se decidir a solução", disse à Lusa José Ricardo Paula, um dos manifestantes que quer ajudar na resolução.

Para este jovem investigador na área das alterações climáticas, "as linhas que estão traçadas [em Paris] não serão suficientes para resolver o problema", o que exigiria o aumento da temperatura abaixo de 1,5 graus, e o que está em análise são 2 graus. Lista alguns problemas que o preocupam como, na alimentação, o aumento do nível do mar e da ocorrência de catástrofes naturais.

Gonçalo Peres chegou de bicicleta com os dois filhos, de três anos, "à boleia" do pai, e de sete anos, na sua própria bicicleta, para defender que, a nível político, é importante mudar o discurso do crescimento económico porque este já é "anti-económico, a Europa já cresceu tudo o que tinha a crescer" e a população já é "muito obesa".

"O que precisamos é de mais felicidade, mais prosperidade, mais qualidade de vida, de pensar mais nas pessoas, na natureza. Existe comida que chega para todos, existe imenso desperdício alimentar, só faz falta uma melhor governanação, não precisamos crescer mais", realçou.

Rita Antunes, da Quercus, também a participar na marcha, disse à Lusa que o importante é mostrar aos governantes que as pessoas já conhecem o problema das alterações climáticas, e agora "cada vez mais cidadãos querem que haja um acordo para resolver o maior problema ambiental do século".

Realça que o movimento pelo clima já extravasou as associações ambientalistas e está a ganhar "uma maior dimensão", quer em Lisboa, quer no mundo. Questionada sobre os problemas na concentração em Paris, em que alguns manifestantes arremessaram objetos aos polícias e estes responderam com gás lacrimogénio, Rita Antunes respondeu que "o final já não teve muito a ver com as organizações e as pessoas ligadas às negociações que primeiro estavam lá".

Mas, para a ambientalista, "o importante é o ato simbólico de colocar lá os sapatos, já que a manifestação teve de ser cancelada, e até o papa Francisco enviou um par dos seus sapatos" para mostrar a ligação à causa. Rita Antunes está otimista e acredita que será obtido um acordo em Paris, resta saber se "será fraco ou forte".

A organizadora da marcha em Lisboa, a que se juntam outras marcadas para o Porto, Coimbra, Braga e Faro, foi Bárbara Gonçalves, que chamou uma prima e o namorado para lançar a iniciativa no site do movimento internacional Avaaz.

A jovem relata à Lusa que "a ideia foi ramificando" e organizações como a Quercus ou o partido PAN mostraram-se recetivos a colaborar para apelar aos governantes em Paris para "tomarem as melhores decisões para todos".