Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Milhares nas ruas pelo clima

  • 333

Uma gaivota pousa numa instalação criada em Paris a propósito da 21ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP 21), organizada pelas Nações Unidas e que vai decorrer na capital francesa

CHRISTIAN HARTMANN / Reuters

Por todo o mundo, este é um fim de semana de pressão pública para que os dirigentes políticos acordem um combate real às alterações climáticas. Manifestações, debates e concertos antecedem o início da Conferência do Clima de Paris, que começa oficialmente na segunda-feira

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Milhares de sapatos vão cobrir a Praça La Republique em Paris, este domingo. A ação simbólica substitui a Marcha Global pelo Clima, cancelada na sequência dos ataques de 13 de novembro e do decretar do estado de emergência em França.

O objetivo é pressionar os dirigentes mundiais para que cheguem a um acordo ambicioso e vinculativo de modo a que, até ao final do século, a temperatura média global não suba mais de dois graus Celsius. Na próxima segunda-feira, 147 chefes de Estado e de Governo estarão presentes em La Bourget, em Paris, para dar início oficial aos trabalhos da 21ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP 21), organizada pelas Nações Unidas. Depois, seguem-se 11 dias de negociações até se entenderem quanto ao texto final do acordo.

Mas se em Paris os manifestantes não podem marchar fazendo ouvir a sua voz, o mesmo não acontece noutras cidades do mundo. De São Paulo a Lisboa, passando por Madrid, Manila ou Londres, estão previstos cerca de dois mil eventos em 150 países. Além de marchas, haverá concertos, exposições e debates. Por cá, são vários os movimentos e associações da sociedade civil que estão a organizá-los.

"Não ficar do lado errado da História"

A associação ambientalista Quercus é um deles e estará presente nas marchas de Lisboa, Porto, e Coimbra. "Os cidadãos irão exigir aos governos que consigam encontrar um acordo que ajude a acabar com a exploração dos combustíveis fósseis, que financie uma transição justa para 100% de energia renovável para todos e que proteja as comunidades mais vulneráveis dos piores impactes das alterações climáticas", afirma em comunicado a direção nacional da Quercus. E deixa um recado: "Os nossos responsáveis políticos irão sentir a pressão para agir, se não quiserem acabar do lado errado da história".

Também a Academia Cidadã se junta à marcha, em Lisboa, por "uma sociedade justa, com baixo consumo energético, um sistema baseado em energia sustentável e sem excesso de produção e consequente desperdício".

A sul, um dos movimentos que está a organizar manifestações pela diminuição da pegada de carbono é o Eco Cidadania por uma Tavira em Transição. Além de juntarem a sua voz à luta global contra as alterações climáticas, chamam a atenção para "as contradições gritantes de se investirem milhões da União Europeia para minimizar a pegada de CO2 e depois se assinarem contratos de exploração de petróleo e gás natural na costa portuguesa, nomeadamente no Algarve".

Agenda da mobilização em Portugal

Em Portugal, domingo é o dia eleito para várioas eventos, s saber:

Lisboa
A Marcha Mundial do Clima parte do Martim Moniz às 15h, com destino à Alameda D. Afonso Henriques, subindo a Avenida Almirante Reis. Pede-se aos participantes para irem de verde.

Porto
Porto Pelo Ambiente tem concentração marcada para as 15h, no Largo do Terreiro. O objetivo é caminhar pelas ruas da cidade formando um enorme cordão humano em direção à Câmara Municipal da cidade. Pede-se aos participantes que levem uma corda para ser amarrada a outras.

Coimbra
Sustenta'Terra, Sustenta' Vida é o tema da marcha que partirá da Praça da República em direção ao Largo da Portagem. No Jardim da Sereia, os manifestamntes poderão deixar a sua marca numa tela gigante. Pede-se aos participantes para vestirem uma camisola branca e levarem corações verdes ou azuis, feitos em cartolina.

Tavira
A marcha pelo clima organizada pelo movimento Eco Cidadania conta com o apoio da Câmara Municipal. A concentração começa às 10h. Depois da marcha sucedem-se outros eventos, como danças, debates e concertos.