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Medina. “25 de Abril não é da esquerda, como 25 de Novembro não é da direita”

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Fernando Medina e Fernando Ribeiro Rosa descerram uma placa de homenagem "do povo de Lisboa aos militares e políticos" que intervieram no 25 de Novembro de 1975

ANTÓNIO COTRIM / Lusa

“Está no momento de deixarmos de ver determinados tipos de eventos e de momentos como propriedade deste ou daquele”, sublinhou o presidente da Câmara de Lisboa, numa cerimónia alusiva à passagem do 40.º aniversário da data historicamente associada ao fim do PREC

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa considera que os acontecimentos históricos não são propriedade de partidos e afirma que a Revolução dos Cravos e o 25 de Novembro não são da direita nem da esquerda.

"Acho que está no momento de nós deixarmos de ver determinados tipos de eventos e de momentos como propriedade deste ou daquele, ou pior, como uns contra os outros. O 25 de Abril não é da esquerda, como o 25 de Novembro não é da direita", sublinhou Fernando Medina (PS) numa cerimónia que esta quarta-feira assinalou a passagem de 40 anos do 25 de Novembro, data historicamente associada ao fim do Processo Revolucionário em Curso (PREC - um período de intensa movimentação político-social ocorrida em Portugal durante os anos de 1974 e 1975).

Na cerimónia, que decorreu na freguesia de Belém, foi descerrada uma placa com a inscrição "Homenagem do povo de Lisboa aos militares e políticos que em 25 de Novembro de 1975 lutaram pela consolidação de um Portugal democrático, pluralista e livre". A placa está localizada na Calçada da Ajuda, junto ao Regimento de Lanceiros n.º 2 do Exército português.

Em Belém marcaram presença autarcas de outras forças políticas, deputados à Assembleia da República e também o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares (CDS), facto assinalado por Fernando Medina.

Na opinião do presidente do município, não se deve continuar a "não falar de eventos e momentos históricos que tiveram uma grande importância". "A nossa ambição enquanto comunidade é deixarmos de ver os eventos como eventos fraturantes e ganharmos a distância e o desprendimento de os vermos como eventos marcantes - sim, de conflito, sim, mas de um conflito que não se reproduz da mesma forma, dos mesmos moldes, com os mesmos protagonistas, numa sociedade que não está num processo revolucionário", vincou.

O presidente da Junta de Freguesia de Belém, Fernando Ribeiro Rosa (PSD), afirmou que foi "fundamental a ação militar que se desenrolou" no dia 25 de novembro de 1975, que marcou o fim do PREC. "Passados 40 anos, conseguimos aferir cada vez mais, com mais clareza, a essencialidade desta data para a História Moderna", afirmou Ribeiro Rosa, vincando que o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975 "se igualam em importância".

O autarca considerou também que a homenagem "aos militares e políticos que fizeram o 25 de Novembro de 1975 é por demais justa", pois, na sua opinião, eles foram "corajosos, audazes e bravos".

Para além da cerimónia organizada pelas duas autarquias, o presidente da Câmara de Lisboa inaugurou uma exposição de 16 painéis na Avenida da Ribeira das Naus. A exposição, que está patente na via pública, denomina-se "Revolução e Democracia - do 25 de Abril ao 25 de Novembro" e é composta por mapas, recortes de imprensa, fotografias, cartazes políticos, gráficos e informação da Comissão Nacional de Eleições.