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Habilitações aumentam mas Portugal mantém-se na cauda da OCDE

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Apesar do enorme salto entre gerações, o nível médio de qualificações ainda é dos mais baixos. Um terço dos portugueses não foi além do 6.º ano. E o desemprego afeta todos, mesmo os mais qualificados

O elogio é feito pela OCDE: nenhum outro país desta organização registou um aumento das habilitações escolares como aconteceu em Portugal. Mas o nível educativo da população permanece "muito desigual", com o país a apresentar simultaneamente das mais baixas taxas de população com ensino secundário completo e das mais altas percentagens de população com mestrado. Ainda que neste último caso tenha mais a ver com a restrutração dos graus de ensino, decorrente do Processo de Bolonha, do que com uma corrida a estes cursos.

De acordo com o Education At a Glance 2015, o maior relatório anual sobre os sistemas educativos nos 34 países da OCDE e economias parceiras, um em cada três portugueses não foi além do 6º ano de escolaridade (33%). Pior só mesmo a Turquia, com 46%. A média da OCDE fica-se pelos 7%.

No total, a maioria (57%) da população portuguesa entre os 25 e os 64 anos tem o 9º ano ou menos. Mas a disparidade das habilitações é tal que o país apresenta, apesar disso, uma das mais altas taxas de população com mestrado (17%), um valor muito superior ao da média da OCDE (11%).

É preciso, no entanto, esclarecer que para esta percentagem entram todos os jovens que concluíram a licenciatura antes do Processo de Bolonha - quando estas tinham 4 ou 5 anos de duração, o que agora equivale a um mestrado - e todos os que fizeram os chamados mestrados de Bolonha (o que corresponde, no total, a 5 anos de formação superior).

Se somarmos a estes 17% os 5% de antigos bacharéis e os jovens que, após o Processo de Bolonha, fizeram "apenas" o primeiro ciclo de estudos superiores (3 anos), a percentagem de portugueses com um "canudo" perfaz 22%, um valor ainda abaixo da média da OCDE 34%).

Salto de gerações

No relatório, divulgado esta terça-feira, Portugal é ainda apontado como o país onde o nível de habilitações académicas mais cresceu entre gerações. Só 23% da população entre os 55 e os 64 anos completou pelo menos o 12º ano, mas essa percentagem dispara para os 65% na geração dos filhos (população entre os 25 e os 34 anos). Em nenhum outro país, o salto foi tão grande.

O problema é que o ponto de partida era tão baixo que há ainda um longo caminho a percorrer. No total, contabilizando toda a população adulta, 43% dos portugueses concluíram o "liceu", um valor que continua muito aquém da média da OCDE (76%). Entre os países da organização, só México e Turquia estão piores do que Portugal.

Desemprego atinge jovens com canudo

O nível de escolaridade que se tem acaba por ser determinante nas condições de participação no mercado de trabalho. Portugal continua a ser dos países onde mais "rende" tirar um curso superior. Os diplomados recebem mais 68% do que os que têm apenas o secundário, acima da média da OCDE. E quase metade acaba por ganhar o dobro do salário médio nacional.

Mas os números também mostram como os anos de crise foram fatais para os mais jovens, incluindo os mais qualificados. Ou seja, se as taxas de desemprego para a população adulta continuam a indicar que ser licenciado diminui a probabilidade de ficar sem trabalho (a taxa estava nos 8,9% em 2014 entre os diplomados, contra 12,6% entre os que apenas tinham o liceu), olhando exclusivamente para o que se passa entre os mais novos essa mais valia diluiu-se e muito.

O relatório analisa a evolução das taxas de desemprego entre 2000 e 2014 e, no caso de Portugal, verifica-se um salto de 4,3% para 14% de desemprego entre os jovens adultos (25-34 anos) com ensino superior, o que equivale ao dobro da média da OCDE. Na Europa, a situação só é mais complicada na Grécia (32,5%), Espanha (19,4%) e Itália (17,7%).

A questão é que entre os que se ficaram pelo 12º ano a evolução foi praticamente a mesma: a taxa de desemprego neste grupo era 3,5% em 2000 e também disparou para os 14,9% em 2014. Um valor que já se aproxima mais da média da OCDE (10,2%).