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Cimeira do Clima de Paris: “Esta é a ultima oportunidade”, alerta o embaixador francês em Lisboa

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Luis Barra

A Cimeira do Clima, que começa dia 30 em Paris, "é a última oportunidade para se chegar a uma decisão" sobre o futuro do Planeta face às alterações climáticas, alerta Jean-François Blarel, em declarações ao Expresso. O Embaixador de França em Portugal diz que "depois será tarde demais".

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

A cimeira das Nações Unidas, que começa em Paris dia 30 de Novembro, é a última carta a jogar para que os Estados acordem medidas que impeçam as temperaturas médias do Planeta de subir mais de dois graus Celsius até ao final do século e que garantam o apoio aos países em vias de desenvolvimento.

Em declarações ao Expresso, o Embaixador de França em Portugal, sublinha que a Cimeira do Clima "é a última oportunidade para se chegar a uma decisão" sobre o futuro do Planeta face às alterações climáticas. Jean-François Blarel alerta: "Depois será tarde demais".

O Governo francês tem apostado na divulgação da mensagem através dos seus diplomatas espalhados pelo mundo e do seu peso internacional para que se chegue a um "acordo histórico em Paris". E não quer que os ataques terroristas de 13 de novembro interfiram nas negociações que começam dentro de cinco dias.

"Não vejo razão para que os atentados influenciem o curso da COP21, já que todas as reuniões políticas se mantêm e os chefes de Estado e de Governo estarão presentes a 30 de novembro", afirma Jean-François Blarel. Segundo o embaixador, o que mudou foi "o reforço da segurança", que levou também ao cancelamento de eventos e manifestações previstos para fora do recinto, assim como visitas de grupos escolares.

Perto de 160 das 196 Nações representadas na ONU já apresentaram as suas contribuições nacionais para que se reduzam as emissões globais de gases de efeito de estufa, como o dióxido de carbono. Mas as medidas propostas não chegam para limitar a subida das temperaturas globais médias a dois graus Celsius e pontam para um valor ligeiramente superior: 2,7 graus.

"Poderemos estar quase um grau acima do que seria desejável para 2050 e, por isso, devemos continuar os esforços para ter em Paris um acordo vinculativo que permita controlar o cumprimento das metas individuais de cada país", esclarece o embaixador. Por isso, em cima da mesa está a proposta de haver um balanço quinquenal sobre novas medidas para a redução de emissões, assim com de avaliação do que vai sendo feito em termos de adaptação ao que aí pode vir.

Segundo o diplomata francês, "esta ideia já contava da declaração conjunta entre a China e a França, assinada a 2 de novembro", e "é muito importante, porque é o que permitirá alterar o fosso entre o objetivo dos dois graus e os quase três, que agora se perspectivam".

100 mil milhões para países mais pobres

Outro dos desafios da conferência das partes (COP 21) é conseguir ver plasmado no acordo final um pacote de financiamento dos países em desenvolvimento. Sem este pilar, os países mais pobres não darão o seu aval. Em cima da mesa está a criação de um Fundo Verde Climático que, esperam, "tenha 100 mil milhões de dólares por ano, a partir de 2020", revela Jean-François Blarel. Tal pacote, acrescenta, "significa uma mudança fundamental para distribuir a ajuda ao desenvolvimento por parte dos países doadores, com prioridade para a ajuda ao combate ás alterações climáticas de forma transversal a todas as políticas".

O Presidente da República francês, François Hollande, anunciou que a França vai aumentar o financiamento dos atuais três mil milhões de euros para cinco mil milhões, até 2020.