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Lisboa vai plantar 28.167 árvores

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PINHEIRO-MANSO. O pinus pinea, mais conhecido por pinheiro-manso, é a espécie que será plantada em maior número

A operação, de grande envergadura, terá início amanhã, no Casal Vistoso, perto do Areeiro. E semeará também 30 mil arbustos

Paulo Paixão

Paulo Paixão

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Jornalista

Carlos Esteves

Carlos Esteves

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Infografico

Serão sobretudo pinheiros-mansos. E, logo a seguir, oliveiras-bravas. E também sobreiros, carvalhos-portugueses e carvalhos-americanos, numa lista de duas dúzias de espécies. Nos próximos cinco meses, 28.167 árvores (além de três dezenas de milhares de arbustos) serão plantadas em Lisboa.

É uma campanha de dimensões muito além do habitual na cidade. Por exemplo, no conjunto dos últimos cinco anos o número de novas árvores ficou-se pelos 25 mil.

A autarquia chama à iniciativa “Uma árvore por cada bebé” (contas feitas aos nascidos entre 2010 e 2014). Além de intervenções dispersas, com a plantação de duas mil árvores em caldeira (em locais sinalizados por juntas de freguesia), a nova vegetação será repartida por vários espaços de Lisboa.

É o caso do Parque Florestal de Monsanto, que terá mais seis mil árvores; o corredor verde ocidental, junto ao polo universitário da Ajuda, com mais 150; e também o vale da Ameixoeira, com um milhar.

Mas o grande salto na mancha verde (entre a plantação de mais árvores em parques já existentes ou a expandir e a abertura de percursos de ligação) é dado no corredor verde oriental. No total, distribuindo-se pelas zonas da Avenida Santo Condestável/Vale de Chelas, Casal Vistoso, Vale da Montanha, Bela Vista e Vale Fundão, aquele corredor abrange cerca de 66 hectares, nos quais serão plantadas 19 mil das mais de 28 mil árvores, e cerca de 30 mil arbustos.

José Sá Fernandes, vereador com o pelouro da Estrutura Verde e Energia, que amanhã de manhã estará na plantação das primeiras árvores na zona do Casal Vistoso (ao lado de João Afonso, o vereador dos Direitos Sociais), faz a antevisão do que será, na próxima primavera, um novo roteiro dos lisboetas: ir do Areeiro até quase ao Tejo num corredor verde. “É mais ou menos uma hora a pé, com algumas paragens pelo meio”, exemplifica.

No percurso, que será rematado na Avenida Infante D. Henrique, junto a Braço de Prata, depois de se terem vencido vales e encostas de Chelas, as novas manchas verdes abrangem vários tipos de situações: desde os chamados espaços expectantes, até aos de enquadramento de áreas habitacionais e das vias.

No corredor verde oriental surgirão vários equipamentos, como parques infantis ou zonas com bancos de jardim. Em alguns pontos, os espaços que irão agora receber milhares de árvores intersectam hortas urbanas.

O esforço de plantação de árvores e de arbustos que agora se inicia terá sequência no outono/inverno 2016-2017, período para o qual está prevista uma iniciativa de idêntica dimensão, assegura José Sá Fernandes.

A campanha que amanhã se inicia irá aumentar as zonas de lazer e “reforçar a ligação dos cidadãos aos espaços verdes e às questões ambientais”, segundo os objetivos da autarquia. Neste ponto concreto, a Câmara quer que passe a existir uma nova ligação umbilical entre os futuros alfacinhas e a cidade: “No futuro, bastará que os pais comuniquem à Câmara o nascimento do filho para que a Câmara plante uma árvore em seu nome”.

NOVAS ZONAS DE DRENAGEM

Não será apenas em dias soalheiros que os lisboetas perceberão, através de um passeio ou de um entretém o tempo num banco de jardim, as vantagens do novo corredor verde oriental.

Sá Fernandes diz que houve a preocupação de “ganhar área verde em linhas de água”. Assim, o corredor, sem poder evitar cheias, funcionará em todo o caso como “zona de drenagem”.

De resto, o vereador explica que o “alargamento” das zonas verdes da cidade foi feito para os “locais para onde estavam previstas urbanizações@, como é o caso da Quinta do Zé Pinto, em Campolide, junto às Twin Towers.

PLANTAÇÕES CRITERIOSAS

Sem conhecer em pormenor a campanha que vai ser iniciada neste fim de semana, Filomena Caetano, especialista do Instituto Superior de Agronomia (ISA), de Lisboa, congratula-se com o principal local escolhido, pois “toda a zona oriental precisava de novas plantações”.

No entanto, a responsável pelo Laboratório de Patologia Vegetal Veríssimo de Almeida, do ISA, chama a atenção para riscos que esta iniciativa pode envolver, se forem ignorados alguns preceitos.

Não tendo nada contra a predominância do pinheiro-manso e da oliveira-brava (serão as espécies mais plantadas), Filomena Caetano recorda perigos que elas comportam.

No caso do pinheiro-manso, ele deve ser plantado longe de escolas e de parques infantis, assim como de outros espaços frequentados por crianças (e por adultos, de um modo geral). Tudo por causa da processionária, também conhecida como lagarta do pinheiro, uma praga que faz habitualmente vítimas. “Todos os anos há casos de crianças com alergias”, diz.

Também a oliveira-brava é um perigo do mesmo género, neste caso a alergia ao pólen. “É contra-indicada em zonas situadas perto de habitações ou que sejam muito frequentadas por pessoas”, afirma Filomena Caetano.

Da cornalheira ao lódão-bastardo

Se pinheiro-manso, oliveira-brava (também conhecida como zambujeiro), sobreiro e carvalhos vários serão plantados em maior número, há bastantes mais espécies, algumas menos (re)conhecidas, que serão plantadas em Lisboa nos próximos meses.

Entre o corredor oriental e outros pontos da cidade, haverá novos plátanos, eucaliptos, freixos, loureiros, alfarrobeiras, amoreiras, choupos vários, amendoeiras, salgueiros, aroeiras, abrunheiro de jardim e cedros vários.

Mas também serão plantadas espécies com nomes a que os lisboetas estão pouco habituados (embora se possam cruzar diariamente com algumas dessas árvores): é o caso do bordo-negundo, da cornalheira (ou terebinto), do lódão-bastardo, do abrunheiro de jardim, do cedro-do-líbano ou do pinheiro-de-alepo.