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Sócrates: “Estou preparado para reduzir a pó qualquer acusação que me possam fazer”

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José Coelho / Lusa

Um ano depois de ter sido detido, o antigo primeiro-ministro diz à TVI que não compreende por que razão continuam por investigar as violações do segredo de justiça na “Operação Marquês”

José Sócrates, o único chefe de Governo português a ser detido preventivamente, voltou esta sexta-feira a criticar com veemência as fugas ao segredo de justiça no processo onde foi indiciado pelos crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais, conhecido como “Operação Marquês”.

“O que é absolutamente extraordinário, diria trágico até, é que o próprio inspetor tributário que dirige a investigação, afinal de contas, em junho vem dizer no processo o seguinte: que a investigação está a ser perturbada porque há fugas ao segredo de justiça e que essas fugas só podem ter origem em três pessoas - nele próprio, no procurador ou no juiz”, afirmou Sócrates à TVI.

“O que ainda é mais extraordinário, que eu saiba, é que ainda não houve nenhum inquérito depois dessa declaração. Por isso, acho que há neste processo muitos aspetos que precisam de explicações”, acrescentou o antigo primeiro-ministro socialista.

“Estou preparado para reduzir a pó qualquer acusação que me possam fazer”, afirmou ainda José Sócrates, garantindo que “tudo aquilo que têm dito são meras alegações, absolutamente infundadas, que são injustas, absurdas e, por isso, absolutamente falsas”.

“Um ano depois, o Ministério Público, em nome do povo, decide que passam os prazos e não apresenta nem os factos nem as provas com base nas quais me fez imputações gravíssimas que lesaram o meu bom nome, que lesaram a minha dignidade e que também lesaram politicamente o governo anterior, a que eu presidi”, insistiu Sócrates, que deixou um pedido: “Espero que essas autoridades [Ministério Público] tenham agora a decência de dar uma explicação ao país.”

O ex-primeiro-ministro socialista foi detido a 21 de novembro de 2014 no aeroporto de Lisboa quando regressava de Paris.

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