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Vinho Pêra-Manca com sistema antifraude

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As garrafas do vinho alentejano estão a partir de agora protegidas com um código único, associado à utilização de uma imagem holográfica, para defender os consumidores de fraude. As primeiras a sair são as da colheita de tinto de 2011

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

DR

A Fundação Eugénio de Almeida anuncia que a nova edição do emblemático vinho tinto alentejano - colheita de 2011 - “tem um inovador sistema de segurança” que permite ao consumidor garantir a sua autenticidade. Cada garrafa de Pêra-Manca tem uma imagem holográfica na cápsula e um código único que pode ser validado no sítio online da marca.

“Perante as tentativas de práticas fraudulentas no setor, nomeadamente a falsificação de vinhos topo de gama, importa conceber métodos fiáveis que permitam assegurar essas situações e, acima de tudo, proteger o consumidor de fraudes ou falsificações garantindo-lhe a autenticidade do vinho que adquire”, sublinha José Mateus Ginó, diretor comercial da Fundação Eugénio de Almeida.

No início deste ano, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) tornou pública a existência de falsificações de dois dos vinhos mais distintos da produção portuguesa, o Pêra-Manca e o Barca Velha. Na sequência da Operaçãp Premium (notociada pelo Expresso em janeiro deste ano) foram apreendidas 110 dez garrafas das duas marcas, avaliadas em cerca de 30 mil euros.

A investigação da ASAE começara em 2013, após a apreensão de garrafas falsas misturadas com as dos dois “ícones” verdadeiros no freeshop do aeroporto de Lisboa. Seguiu-se cerca de um ano de investigação que “varreu” vários estabelecimentos e garrafeiras onde foram encontradas mais garrafas contrafeitas das duas marcas.

“Nem sempre se consegue ficar imune”

Para o inspetor-geral da ASAE, Pedro Portugal Gaspar, “é muito positivo que marcas como a Pêra-Manca tomem este tipo de iniciativa”. Porém, alerta: “Mesmo com este tipo de medidas nem sempre se fica imune, já que os contrafatores arranjam sempre maneira de dar a volta”. E não faltam casos, acrescenta, “em que o material contrafeito vem com selo a dizer que está protegido contra a contrafação”. Por isso, a autoridade policial e económica continua a procurar “proteger as marcas portuguesas para exportação e a combater a concorrência desleal e a falsificação”.

A Sogrape/Casa Ferreirinha, casa mãe do duriense Barca-Velha, também avançou, há meses, com a criação de elementos distintivos nas suas garrafas, nomeadamente o holograma no rótulo e o relevo incrustado no vidro.

Preocupadas com os efeitos colaterais para as suas marcas e com vista a combater a falsificação, as duas casas procuraram inovar e colaborar com as autoridades nas investigações. A Operação Premium terminou em janeiro de 2015 e nos últimos meses a ASAE não encontrou mais vinhos falsificados destas duas marcas de topo. Por terem uma produção muito pequena, que em média não vai além das três dezenas de milhar, é mais fácil rastrear estas garrafas. A ASAE aconselha os consumidores a pedirem sempre fatura, porque em caso de fraude pode-se comprovar um dos elos da cadeia.