Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Agente da PJ não encontrou fatura de €37.500 que procurava em casa de Narciso Miranda

  • 333

Antigo presidente da Câmara de Matosinhos está acusado de ter usado em proveito próprio o dinheiro proveniente de uma subvenção estatal à sua candidatura àquela autarquia, em 2009, ano em que concorreu como independente

Uma inspetora da Polícia Judiciária (PJ) disse esta terça-feira, em tribunal, ter feito buscas à residência do ex-presidente da Câmara de Matosinhos, Narciso Miranda, acusado de desviar 37.500 euros, para encontrar uma fatura alusiva a obras, mas que não a descobriu.

Narciso Miranda está acusado de ter usado em proveito próprio 37.500 euros, dinheiro proveniente de uma subvenção estatal à sua candidatura à Câmara de Matosinhos, em 2009, ano em que concorreu como independente.

"Quando fomos fazer buscas à casa do sr. Narciso Miranda, a indicação era encontrar uma fatura no valor de cerca 30 mil euros mas não encontrámos nada", frisou a inspetora da PJ, que testemunhou esta manhã no Tribunal de Matosinhos, distrito do Porto.

Na primeira audiência de julgamento, o ex-autarca realçou que a verba foi usada para fazer obras na sede de campanha - Associação Narciso Miranda-Matosinhos Sempre.

Juntamente com Narciso Miranda estão a ser julgadas mais duas pessoas, o dono de uma empresa de construção e um empreiteiro, pela alegada prática, em coautoria, dos crimes de abuso de confiança e falsificação de documentos.

Uma outra inspetora da PJ explicou ter feito buscas a uma empresa de construção civil "à procura de uma fatura" no valor de 30 mil euros que viria a ser encontrada.

Por seu lado, um sócio da associação, eletricista, afirmou que foram feitas "muitas obras" na sede porque o edifício estava "um bocado degradado". "Quando lá fomos a primeira vez ver o prédio, até pombas havia lá dentro. Algumas janelas estavam partidas, o teto tinha um buraco e o quintal estava cheio de lixo", afiançou.

Outro associado, empresário e amigo de Narciso Miranda, realçou que antes das obras não era possível entrar no edifício dado o seu "estado de degradação".

Em janeiro de 2015, o antigo presidente da Câmara de Matosinhos foi absolvido, enquanto líder de uma mutualista, dos crimes de simulação de roubo, abuso de confiança, peculato e participação económica em negócio.

Narciso Miranda estava acusado, enquanto presidente do conselho de administração da Associação de Socorros Mútuos de S. Mamede Infesta (ASMSMI), em Matosinhos, de adjudicar serviços a empresas de que faziam parte familiares, alguns deles de forma ilegal ou nunca realizados, e simular o roubo de um 'smartphone' para receber um modelo mais recente.

  • Narciso absolvido de todos os crimes

    Omissão da acusação iliba ex-presidente da Câmara de Matosinhos dos crimes de simulação de furto de um smartphone, peculato e participação económica em negócio.