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Terrorismo. Machete “tem esperança” de que Portugal seja “poupado”

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STEVEN GOVERNO / Lusa

Manuel Valls, primeiro-ministro francês, já fez o alerta: a Europa deve estar preparada para novos ataques. Também o diretor da CIA acredita que o terror da passada sexta-feira na capital francesa não se trata de um “acontecimento isolado”. E em Portugal, estamos em risco?

O atentado de Paris, na passada sexta-feira, foi o segundo do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) na capital francesa só este ano. Pela proximidade entre Portugal e França a questão é quase inevitável: estamos em segurança? Rui Machete, ministro dos Negócios Estrangeiros, “tem esperança” que o país “continue a ser poupado”, mas admitiu ainda que “garantias absolutas não existem”.

“Há razões para tomar medidas cuidadosas de segurança. Não há razões para todos os dias temermos que exista um ataque, mas evidentemente que é uma situação que é delicada e não pode ser considerada de ânimo leve. Portugal, por razões geográficas, por um lado, e sociológicas, por outro, felizmente tem sido poupado e há esperança que continue a sê-lo, mas garantias absolutas não existem”, disse Machete aos jornalistas, esta segunda-feira em Bruxelas, após uma reunião dos chefes de diplomacia da União Europeia.

Segundo Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), “o grau de ameaça em relação a França é maior” do que em Portugal. No entanto, Rui Pereira, presidente do OSCOT e antigo da Administração Interna, justificou à agência Lusa, que o nosso país “não pode de maneira nenhuma descurar a ameaça de um atentado” devido às “suas alianças, incluindo a Organização do Tratado Atlântico Norte”.

No entanto, o antigo ministro da Administração Interna considerou que o terrorismo “não pode impor uma lógica de coação”, não podendo os Estados ocidentais “ser paralisados pelo medo”.

Estados Unidos da América, Austrália, Canadá e Bélgica podem ser os próximos

O próprio Daesh, que reivindicou o atentado de Paris, já fez saber que não ficará por aqui. Estados Unidos da América, Austrália, Canadá e Bélgica podem ser os próximos, caso continuem “os bombardeamentos contra os muçulmanos”, asseguram os jiadistas num vídeo, citado pela agência Lusa.

“Digo aos países da coligação (liderada pelos EUA) que não vão continuar a viver em segurança até que os muçulmanos vivam em segurança nos seus países", declarou um combatente do grupo radical islâmico na mesma gravação.

Desde de sexta-feira já foram realizadas mais de 150 buscas em solo francês nos meios islamitas. A informação foi avançada pelo primeiro-ministro francês, Manuel Valls que deixou o alerta: França e Europa devem estar preparadas para novos atentados.

John Brennan, diretor da CIA, defendeu que os ataques da passada sexta-feira não se tratam de “uma acontecimento isolado” e que o Daesh estará a preparar operações semelhantes. “Acho que esta não é a única operação que o grupo tem em preparação. Certamente, não considero os ataques de Paris um acontecimento isolado”, referiu Brennan, esta segunda-feira em Washington, citado pela AFP.

O Daesh não se contém em limitar as suas atividades mortíferas ao Iraque e à Síria e em criar franchises locais no Médio Oriente, no sudeste da Ásia e em África, criou um programa de operações exteriores que aplica com efeitos letais”.

“A grave ameaça criada pelo fenómeno do ISIS mostra que é absolutamente imperativo que a comunidade internacional se comprometa urgentemente para alcançar um nível de cooperação, partilha de informação e de ação conjunta maior e sem precedentes - nos serviços de intellegence, na lei, militarmente e nos canais diplomáticos. A ameaça do ISIS exige isso”, acrescentou o diretor da CIA, citado pelo jornal norte-americano “The Washington Times”.

Machete admite tropas no terreno

Sobre a intervenção militar na Síria, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, admite “ser natural” que haja “uma intervenção da NATO”. “A NATO é uma coligação composta pelos Estados, mas que, com exceção praticamente dos curos e uma parte relativamente diminuta do exercito iraquiano, não tem tido tropas no terreno. Os curdos têm tido uma ação, foram eles que evitaram há seis meses a conquista de Bagadade por parte do ISIS. Mas não é suficiente e, portanto há que pensar certamente em missões com tropas no terreno”, disse Machete esta segunda-feira em Bruxelas.

A cooperação internacional é “fundamental”, pois o Daesh “não pára numa fronteira” e “considera que todo o ocidente e alguns países muçulmanos e outras opções religiosas maioritárias são terras que devem ser punidas por essa circunstância”.

Na sequência de um pedido de França, a presidência luxemburguesa da União Europeia convocou no passado domingo uma reunião extraordinária dos ministros do Interior da União Europeia para a próxima sexta-feira em Bruxelas, com objetivo de reforçar a luta antiterrorista. A discussão entre os 28 será para “tratar especificamente de medidas do ponto de vista policial e dos serviços de informação”.