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Expresso eleito “Jornal Europeu do Ano”

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O Expresso foi eleito “European Newspaper of the Year”, na 17ª edição dos prémios “European Newspaper Award”, com sede na Alemanha. De entre 196 publicações, de 26 países diferentes, Portugal volta a estar no mapa do design editorial. Não é a primeira vez que merecemos o galardão mais importante a nível europeu pela qualidade do nosso Jornalismo Visual, mas vale a pena não esquecer o longo e sinuoso caminho que percorremos...

Marco Grieco

Marco Grieco

Diretor de Arte

O Expresso acaba de ser nomeado “European Newspaper of the Year”, na 17ª edição dos prémios “European Newspaper Award”, com sede na Alemanha. De entre 196 publicações, de 26 países diferentes, Portugal volta a estar no mapa do design editorial. Não é a primeira vez que merecemos o galardão mais importante a nível europeu pela qualidade do nosso jornalismo visual, mas vale a pena não esquecer o longo e sinuoso caminho percorrido...

Quando cheguei ao Expresso, em 2006, o jornal preparava a mais profunda alteração em mais de 30 anos de história. O grande formato Broadsheet, marca registada do semanário fundado a 6 de janeiro de 1973 por Francisco Pinto Balsemão, estava prestes a ‘encolher’.

Nas primeiras semanas de setembro daquele ano passaríamos a Berliner, formato mais pequeno e prático, ainda inédito em Portugal. Um projeto arrojado que fui ‘obrigado’ a liderar a par do meu amigo Javier Errea, um dos mais talentosos jornalistas visuais com quem tive o prazer de trabalhar. Projeto que não colhia unanimidade, nem mesmo no seio da redação ou da administração.

O próprio Balsemão não tinha certezas quanto à mudança e muitas foram as idas e vindas até a aprovação da versão final. Seria uma autêntica revolução para o semanário de referência que nascera na ditadura e que precisava alterar a sua linguagem gráfica para os novos tempos, o novo século – já com algum atraso…

Com a redação contagiada pelo espírito de renovação – mais não fosse pela ameaça do semanário “Sol”, criado à sombra do ‘velho’ Expresso – o novo Expresso foi uma aposta certeira. Sucesso desde as primeiras edições, com recordes de venda e uma avalanche de críticas positivas de todos os quadrantes.

A validar a nossa iniciativa e esforço, faltavam os prémios de design. Por vezes tão menosprezados pelas redações mas fundamentais para que as equipas de arte mereçam o devido respeito, no equilíbrio de forças que é fazer um jornal tão complexo como o nosso, semana após semana.

Não foi preciso esperar muito e já em 2007, tinha o novo grafismo pouco mais de seis meses de vida, vencemos os “European Newspaper Award”. Sim, este mesmo que agora voltámos a vencer… Uma imensa alegria, fruto do trabalho de uma equipa talentosa que só precisava de uma oportunidade, uma lufada de ar fresco, uma nesga de luz para mostrar o que valia.

E valia – e vale – muito. Depois desta estreia nos prémios, muitos outros vieram. Medalhas de ouro, prata e bronze. Menções honrosas, muitos prémios cá dentro e lá fora. Logo em 2008, a até então impensável entrada para a galeria dos melhores do mundo, com o prémio “World’s Best-Designed Newspaper”, atribuído pela Society for News Design (SND).

O Expresso passou a ser conhecido e reconhecido pelos meios de comunicação estrangeiros. Estávamos a ser valorizados pelos nossos pares e pelos nossos leitores. Perguntavam por nós nos congressos, queriam saber qual o nosso segredo, qual a fórmula mágica para a conjugação das melhores fotografias, das melhores infografias, das melhores paginações.

Não havia segredo nem fórmulas, apenas trabalho. Muito trabalho.

Em 2009, novo “World’s Best-Designed Newspaper”, além do reconhecimento como “Jornal com o Melhor Design da Península Ibérica”. Mais prémios em todas as áreas. Mais responsabilidade e a vontade de fazer mais e melhor. Outros concorrentes vieram, como o “i”, o novo “Público”. Portugal tornou-se assim uma espécie de pequena Meca do design jornalístico…

Impávido, mas nunca inerte, o Expresso procurou manter a sua linha. A sua linhagem, a sua suave elegância. De certa forma, manteve-se sereno enquanto outros aproveitavam para surfar a nossa onda. E havia espaço para todos, numa concorrência salutar e enriquecedora. Os prémios espalharam-se, mas nunca nos sentimos ofuscados pelos demais. O que era nosso estaria sempre guardado. O seu a seu dono.

Volvidos oito anos, continuamos no radar principal do design editorial europeu. A merecer a recompensa pela nossa persistência num projeto que soube envelhecer. Soube renovar-se. Há oito anos tínhamos quatro cadernos e um site. Primeiro, Economia, Revista Única e Actual – sim, ainda antes do Acordo Ortográfico! Hoje, realinhados e remoçados, somos muito mais. Primeiro Caderno, Economia, Revista E, um novo site – já premiado –, Diário Digital, versão tablet, versão em html5, WhatsApp, Snapchat...

Em quase 43 anos de história, o Expresso nunca teve medo de nada nem de ninguém. Nunca teve medo de avançar quando era preciso, de arriscar quando o que se aconselhava era recuar. A nossa nova revista, a “E”, é a prova mais recente desta coragem. Da fusão entre a anterior Revista com o suplemento cultural Atual – já então sem o “c” – nasceu uma publicação maior e melhor. Jornalismo de longo formato, tendências, vícios, cultura… O resultado acabou por não ser a soma das partes, mas sim a multiplicação das melhores partes.

Em maio, lá estaremos uma vez mais em Viena, na Áustria, para representar o Expresso, para dar a conhecer o Expresso, para levar o Expresso mais alto e mais longe. Ao lado do norueguês “Kvinnheringen”, do espanhol “Ara” e do belga “De Morgen”, faremos um brinde. Pelos 43 anos do Expresso. Pelos meus 43 anos. Pelo jornalismo. Pelo design. Pelo jornalismo visual. Pela elegância.

Vida longa ao Expresso.