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45% dos jiadistas detidos no país vizinho são espanhóis

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Estudo apresentado esta segunda-feira, em Madrid, revela que quase metade dos terroristas afetos à jihad detidos em Espanha desde 2013 são autóctones, 40,5% dos quais nascidos em território nacional

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O Real Instituto Elcano de Estudos Internacionais e Estratégicos, sediado em Madrid, divulgou esta segunda-feira conclusões preocupantes sobre o contexto e perfil dos radicais islâmicos detidos nos últimos dois anos, em Espanha.

Segundo a investigação conduzida por dois especialistas em terrorismo jiadista e divulgada esta manhã no site do “El País”, revela que 45% dos detidos ligados à jihad eram espanhóis e mais de 40% nascidos localmente, “o que demonstra o notório crescimento do terrorismo jiadista autóctone”

O estudo apresentado por Fernando Reinares e Carola Garcia-Calvo, na abertura do Terceiro Forúm sobre Terrorismo Global, conclui que outras das “mudanças surpreendentes” no perfil do terrorista jiadista nascido em Espanha é serem cada vez mais jovens e haver cada vez mais mulheres associadas ao fenómeno. “Nos últimos dois anos, tem sido detetada um presença significativa de mulheres, até então ausentes do radicalismo violento”, referem.

“Conclusões assustadoras”

Dos detidos com ligações à jihad desde 2013, 60,9% tinham 15 a 29 anos e 15,8% eram mulheres, atuando em 90,5% dos casos em colaboração com outros.

“São conclusões assustadoras, que mostram como mudou, em tão pouco tempo, a realidade das ameaças dos radicais islâmicos em Espanha, concretamente desde 2013, com a brutal escalada de violência empreendida pelo Estado Islâmico na Síria e Iraque”, acrescenta o “El País”.

Ceuta e Melilha são apontadas como os principais focos do jiadismo local no país vizinho, com 75,8% dos detidos nascido numa destas duas cidades espanholas, enquanto o maior contingente de jihadistas forasteiros é de origem marroquina.

Outra das conclusões do estudo indica Barcelona como o principal “cenário jiadista” do país, cidade onde foram detidos 29% dos suspeitos e “principal território de recrutamento e organização das redes” radicais.