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Souto Moura cria auditório a pedido de Santana Lopes

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É o primeiro grande projeto do arquiteto na cidade de Lisboa. A sala tem capacidade para 200 pessoas e uma grande janela com vista sobre a capital

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) desafiou o arquiteto Souto Moura a construir um auditório no antigo edifício da lavandaria, concluido em meados de 1915. Recorde-se que aquela foi a primeira lavandaria industrial em Portugal e tinha como função centralizar a limpeza das roupas de todos os equipamentos da Misericórdia de Lisboa. O projeto agora apresentado propõe a adaptação da lavandaria para instalação de um ginásio, sala multiusos e cafetaria, serviços dirigidos aos colaboradores da instituição, e a construção de um novo edifício para o auditório com capacidade para 200 pessoas. O edifício situa-se no complexo de São Roque, onde estão instalados os serviços centrais e sede da SCML e onde trabalham cerca de 900 pessoas.

"A revitalização do Conjunto de São Roque composto pelo Palácio Condes de Tomar, Palácio de São Roque, Museu e Igreja de São Roque e o edifício dos serviços centrais da SCML é uma dos grandes objetivos da área do Património da SCML. Desde o início do mandato que me tenho empenhado na preservação do património desta instituição e no investimento em novas obras, com o objetivo de encontrar soluções para as necessidades da população e para a rentabilidade e sustentabilidade do património da Santa Casa", justificou ao Expresso, o Provedor, Pedro Santana Lopes.

Galardoado com o Prémio Pessoa (1998), o Prémio Pritzker (2011), o Prémio Secil (1992, 2004 e 2011) e o Premio Wolf de Artes (2013), entre outros, Eduardo Souto Moura tem desenvolvido a sua obra pública sobretudo a norte, destacando-se o Mercado Municipal e o Estádio Municipal de Braga, a Casa das Artes, a Casa do Cinema de Manoel de Oliveira e o Edifício Burgo, no Porto. Em Lisboa, trabalhou no projeto do Pavilhão de Portugal, desenvolvido por Álvaro Siza Vieira para a Expo'98.

Este será assim o seu primeiro grande projeto na capital. O novo auditório teve inspiração nas antigas máquinas fotográficas, por isso pretende evocar a imagem de uma máquina de fotografar ou de filmar. "O objetivo do arquiteto é que quem entra no espaço encontre uma maneira única de ver Lisboa e fique com uma imagem própria registada da cidade, enquadrada numa moldura formada pelo próprio edifício que, com uma parede de vidro, proporciona uma vista que vai da Colina de São Vicente ao Castelo de São Jorge", explica Santana Lopes. O projeto dará entrada na Câmara Municipal de Lisboa, para licenciamento, na segunda-feira.

Segundo o Provedor a estratégia de reabilitação da Santa Casa para a recuperação e rentabilização do seu património, localizado sobretudo em Lisboa, "através de uma intervenção mais abrangente, prevê um investimento superior a 37 milhões de euros" para os próximos anos.