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Atentados, Paris. Dois portugueses que ficaram com "muito medo"

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Fernando Graça e Celeste têm restaurantes ao lado de um outro onde os terroristas mataram 18 pessoas nesta sexta-feira. E realçam o medo - deles e de todos os que fugiam ao horror

O bar-restaurante luso-cabo-verdiano “Chez Celeste”, na rua de Charonne (bairro número 11, na zona da Bastilha) estava cheio quando pouco depois das 22h desta sexta-feira rebentou a 200 metros um tiroteio terrorista que fez 18 mortos e diversos feridos.

As rajadas atingiram os clientes do “Le petit Baiona” e foi uma correria de pavor no quarteirão. Estava em curso um dos sete ataques terroristas sem precedentes que aterrorizaram Paris nessa noite.

“Os clientes das esplanadas dos cafés, há muitas aqui, fugiram, cheios de medo, foi uma correria incrível e desordenada, ficámos todos apavorados” conta Celeste, proprietária do conhecido local onde na altura do ataque tocava um grupo musical. “Parámos a música, fechámos as portas e ligámos a televisão para ouvir as notícias, foi horrível, fiquei, ficámos todos cheios de muito medo”, acrescenta.

Todos os bares da zona fecharam imediatamente após os tiros, incluindo igualmente o "Paris-Lisboa", propriedade do português Fernando Graça. O restaurante deste português também acolheu pessoas vindas da rua em pânico. “Refugiavam-se em todos os locais que lhes abriam as portas, nunca vi tanto pânico e ansiedade nas pessoas como nesse momento, tivemos todos muito medo, claro”, diz Fernando Graça.

Às 3h locais (2h em Lisboa), Celeste ainda estava no seu restaurante. “Por agora não posso sair daqui” explicou. À porta tinha carros, carrinhas e motas da polícia, agentes sem conta.

No atentado da rua de Charonne falou-se pouco nas notícias em Paris. De madrugada, ainda não se sabia se os dois terroristas que aí dispararam de forma cega contra os clientes do “Le petit Baiona” foram mortos ou se faziam parte do mesmo grupo que atacou, um pouco mais abaixo, na Boulevard Voltaire, um café junto ao Bataclan e levou a cabo uma matança monstruosa de dezenas de pessoas dentro daquela sala de espetáculos.

As autoridades informaram que sete terroristas morreram no decorrer das operações – três deles em atentados kamikazes junto ao Estádio de France, onde decorria um jogo de futebol ao qual assistia o presidente François Hollande. Mas nada disseram sobre se alguns dos terroristas terão conseguido fugir e estarão a monte.

Celeste e Fernando não sabem ainda se poderão abrir os seus estabelecimentos neste sábado. Por agora, todo o quarteirão está ocupado pelas forças especiais e de segurança, como muitos outros de Paris.