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Movimento pró-morte assistida vai ser lançado no Porto

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Alexandre Quintanilha é uma das personalidades que apoia o movimento

RUI DUARTE SILVA

Laura Ferreira dos Santos, autora de vários livros sobre eutanásia, junta este sábado um grupo de apoiantes do primeiro movimento cívico português a favor da despenalização da morte assistada no país. Alexandre Quintanilha, António Pedro Vasconcelos e Júlio Machado Vaz são alguns dos aliados da causa polémica

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

As bases do primeiro movimento cívico a favor da despenalização e regulamentação da morte medicamente assistida em Portugal vão ser lançadas este sábado, pelas 14h30, na Ordem dos Médicos, no Porto, numa reunião inaugural considerada histórica por Laura Ferreira dos Santos, precursora da iniciativa, a par do médico nefrologista João Ribeiro Santos.

Entre os defensores da causa ainda fraturante no país estão o cientista Alexandre Quintanilha, nomeado pelo grupo parlamentar do PS para presidir à Comissão de Educação e Ciência, o cineasta António Pedro Vasconcelos, o médico e sexólogo Júlio Machado Vaz e o jornalista José Júdice.

Após a reunião deste sábado, Laura Ferreira dos Santos, professora aposentada da Universidade do Minho e autora de obras centradas na temática da eutanásia, irá solicitar audiências aos grupos parlamentares e outras entidades, tendo por meta “colocar sem preconceitos o assunto em debate no país”.

A autora dos livros “Ajudas-me a morrer?” ou “A morte assistida e outras questões do fim da vida” lembra que as associações e movimentos 'right to die' são comuns na Europa ocidental, tendo sido até ao presente apenas discutido esporadicamente em Portugal e sempre longe do debate político.

“Falar de eutanásia ou de suicídio medicamente assistido é ainda quase tabu em Portugal”, afirma Laura Ferreira dos Santos, que preconiza que cabe a cada um deliberar sobre o tempo e a forma de viver e que não podem ser os médicos a ter a última palavra.

A investigadora da UM defende que necessário alterar o Código Penal do país, situação que não implica que os detratores da eutanásia recorram à morte assistida no fim da vida. “Permite é aos seus defensores ter direito à última escolha da sua vida, inibição que não se entende num verdadeiro Estado de Direito de um país democrático”, frisa a professora licenciada em Filosofia e doutorada em Filosofia da Educação, que advoga que deverá ser um médico a administração da substância letal ao paciente, “a seu pedido expresso e a quem cabe sempre a última palavra última palavra” .

“Há casos típicos no país,escondidos, de doentes com cancro prolongado e sem remissão que deixam de de querer ser tratados, mas a quem a família pressiona de tal formal que acabam por se suicidar”, conta a ex-docente.

Laura Ferreira dos Santos admite que a causa irá encontrar resistência em setores da sociedade ainda muito arreigados à tradição judaico-cristã, que encara a vida como um bem inalienável.

Legalizada na Holanda, Bélgica, Luxemburgo e em três estados dos EUA, a morte assistida “será despenalizada a partir de dezembro no Canadá“, não sendo punida na Suíça, enquanto em Portugal a pena prevista para o homicídio a pedido expresso vai de um a três anos.