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Morreu o homem forte da cultura do Porto

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Rui Duarte Silva

Vereador da Cultura da Câmara do Porto, Paulo Cunha e Silva faleceu na noite desta terça-feira, vítima de um enfarte de miocárdio. O protagonista do renascimento cultural da Invicta nos últimos dois anos tinha 53 anos

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O homem forte da cultura do Porto, da era do independente Rui Moreira, morreu na noite desta terça-feira, após o jantar na sua casa em Matosinhos. Vítima de um enfarte do miocárdio agudo, foi ainda assistido por amigos e pelo INEM, tendo falecido pelas 23h.

Paulo Cunha e Silva, um dos principais rostos do Porto Capital Europeia da Cultura 2001, afirmou, logo depois de ter tomado posse como verador da Cultura, querer transformar o Porto “num laboratório político-cultural para o país”. O reconhecimento do seu trabalho surgiu em abril último, quando a Sociedade Portuguesa a Sociedade de Autores atribuiu à cidade o prémio de Melhor Programação Cultural Autárquica 2014, uma distinção que teve por pilares o arranque do Teatro Municipal do Porto, a nova Galeria da Biblioteca Municipal Almeida Garret, o Fórum do Futuro 2014, a independente Feira do Livro do Porto, a programação transversal do Edifício AXA ou o evento A Festa Aqui.

Há menos de um mês, foi a vez de o Governo francês distinguir o trabalho feito pelo responsável cultural da Invicta, tendo Paulo Cunha e Silva recebido nos Paços do Concelho, das mãos do embaixador Jean-François Blarel, o título de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras.

Ainda na semana passada, com lotações esgotadas, decorreu no Porto o Fórum do Futuro, sob o signo da 'Luz', evento que juntou meia centena de personalidades nacionais e internacionais, como o Nobel da Física John C. Mather, o filósofo francês Gilles Lipovetsky ou o arquiteto Eduardo Souto Moura.

Há duas semanas, Paulo Cunha e Silva falou ao Expresso sobre o novo Programa de Arte Pública 2015, lançado na cidade em fevereiro, e das quatro obras instaladas ao ar livre na Baixa do Porto nos últimos meses. “As primeiras de um acervo tendencialmente infinito”, revelou, projeto que visa transformar o Porto num museu a céu aberto, sustentado por mecenas e empresas portuenses dispostas a ver o seu nome gravado no chão onde assentam as obras de artistas portugueses de renome internacional, como Fernando Lanhas, Dalila Gonçalves, Rui Chafes e João Louro. Em breve será inaugurada ainda uma obra de Alberto Carneiro, no Largo de São Domingos.

“Não queremos um passeio da fama, mas um passeio do orgulho, projetado para as novas gerações”, afirmou ao Expresso. Uma das máximas de Paulo Cunha e Silva era que a arte pública contemporânea é o património do futuro.

Paulo Cunha e Silva era licenciado em Medicina pela Universidade do Porto, onde fez ainda o doutoramento e foi professor de Anatomia.

Reagindo à notícia da morte do vereador, a Câmara Municipal do Porto decretou esta manhã três dias de luto municipal. O corpo do vereador estará em câmara ardente no palco do Auditório Manoel de Oliveira do Teatro Municipal Rivoli, a partir das 17 horas de hoje. Amanhã, pelas 14 horas, o cortejo fúnebre sairá para a Igreja da Lapa, onde será celebrada missa de corpo presente.