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Carreiras das mulheres: a culpa não é dos filhos, é da ambição do marido

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PARTILHA. Em pleno século XXI, muitas norte-americanas acreditam que para manter uma carreira de sucesso precisam de encontrar um companheiro que aceite secundarizar a própria vida profissional

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Um inquérito realizado pela Universidade de Harvard a 25 mil ex-alunos revela que os homens são o principal travão às carreiras femininas

Escolher e bem o marido é quase tão importante quanto a média final de licenciatura ou a instituição onde se fez o curso. Pelo menos, a ter em conta os resultados do inquérito realizado pela Universidade de Harvard junto de 25 mil ex-alunos da Faculdade de Gestão, a maioria com MBA e de diferentes gerações, entre 26 e 47 anos. Se ele não estiver disposto a repartir tarefas e ambições, a mulher poderá ficar mesmo para trás em termos profissionais.

A investigação de Harvard constatou que 60% dos homens disseram estar "extremamente satisfeitos" com a experiência laboral e oportunidades de carreira. No entanto, apenas 40% das mulheres inquiridas revelaram o mesmo grau de satisfação. Há ainda que sublinhar que 83% dos inquiridos, homens e mulheres, estavam casados na altura da pesquisa.

Determinante foi a conclusão de que 75% dos homens ouvidos revelaram que, no futuro, as suas companheiras deveriam assumir os cuidados com as crianças e 50% das mulheres confessaram saber que esta seria uma tarefa maioritariamente feminina. Cerca de 70% dos homens consideraram que as suas carreiras seriam prioritárias em comparação com as das mulheres. E, enquanto 28% das inquiridas disseram já ter ficado seis meses em casa para tomar conta das crianças, apenas 2% dos homens tomaram a mesma atitude.

Num artigo hoje publicado no jornal espanhol "El País", a pesquisa é divulgada e sublinha-se que, tradicionalmente, a falta de mulheres em lugares de topo era consequência da maternidade, mas o estudo publicado no ano passado na "Harvard Business Review", veio contrariar o cliché. A maioria das inquiridas que assumiram estar insatisfeitas com as carreiras profissionais revelaram que a causa não era a dedicação à família, mas a decisão de colocar a carreira do marido em primeiro lugar.

"Se há que encontrar um culpado, é a própria sociedade. As mulheres sentem-se pressionadas, não só pelos companheiros, mas também pela sociedade e pelas empresas. é dado como certo que elas terão maior responsabilidade com os filhos e com a casa", garante Pamela Stone, professora de Sociologia na universidade de Hunter e uma das autoras do estudo ao "El País".

Uma lista elaborada pela revista americana "Fortune" aponta para que 20% dos cargos de administração das 500 maiores empresas do mundo sejam ocupados por mulheres. a média europeia é de 20,2% e, em Portugal, como o Expresso já revelou este ano, os números são inequívocos: nas 500 maiores empresas a operar no país, as mulheres representam 44% dos empregados, número que diminui de forma abrupta à medida que o nível de responsabilidade aumenta. A participação feminina é de apenas 19% nas funções de direção executiva (diretores de primeira linha), 11% nas funções de gestão (órgãos sociais das empresas) e 4% nos cargos de liderança. Isto significa que só 20 das 500 maiores empresas em Portugal são lideradas por mulheres. O retrato foi traçado pela Deloitte e pela Informa D&B com base na análise das 500 Maiores&Melhores (500M&M) da revista "Exame", traduz a realidade do país em 2012.