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Moscovo em fúria com cartoons do “Charlie Hebdo” sobre acidente com avião russo

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Putin considera ilustrações uma “blasfémia” e o país exige um pedido de desculpas formal do Estado francês

Peças e destroços de um avião em queda livre e até um passageiro a cair do céu, atingindo o que se percebe ser um combatente islâmico, armado. Na legenda do desenho lê-se apenas : “Daesh: a aviação russa intensifica os seus bombardeamentos”.

Assim se pode descrever um dos cartoons publicados pelo “Charlie Hebdo” desta quarta-feira, a propósito do acidente com o Airbus russo que caíu no Sinai. Um segundo desenho, evocando também um cenário de desastre, fala nos “perigos das viagens low cost russas e mostra os destroços de um avião enquanto uma caveira diz que o melhor será “apanhar a Air-Cocaína”, numa referência ao aparelho recentemente intercetado no Líbano com um carregamento de droga, supostamente destinado ao financiamento dos radicais islâmicos na Síria.

Estas ‘interpretações’ que provocaram a ira de Vladimir Putin. Um porta-voz do Presidente russo afirmou que Moscovo considera os cartoons uma “blasfémia”, pedindo ao seu Governo que classifique a publicação satírica como “extremista”, além de exigir que as autoridades francesas tomem uma posição e enderecem um pedido formal de desculpa à Rússia. “Na nossa opinião, isto tem um nome: blasfémia. Não tem nada que ver com a democracia, nem com a liberdade de expressão”, disse aos jornalistas Dmitir Peskov.

Para o jornal, esta é apenas mais uma polémica associada às suas edições, cujo teor tem levantado muitas discussões sobre a liberdade de expressão e os seus limites, sobretudo depois do atentado sofrido na sua própria redação, do qual resultaram 12 mortos.