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É um rato mas não é uma praga. Conheça o novo mamífero português

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Gonaço Rosa

O rato-das-neves tem cor parda e longos bigodes brancos. Foi descoberto por um acaso no âmbito de um trabalho fotográfico sobre mamíferos em Portugal

O rato-das-neves começou por ser descoberto no âmbito de um trabalho fotográfico sobre mamíferos em Portugal e a sua existência, no Parque Natural de Montesinho, em Lama Grande, Bragança, foi depois confirmada por investigadores. É uma nova espécie que acaba de dar entrada no registo de mamíferos que habitam no nosso país.

“Esta espécie não é uma praga: concentra-se exclusivamente em regiões montanhosas e é bastante sensível a alterações do habitat. Além disso, como todos os roedores, tem um papel importante na disseminação de sementes”, refere Hélia Vale Gonçalves, especialista em micromamíferos do Centro de Investigação e Tecnologia Agroambientais e Biológicas (CITAB), citada num comunicado de divulgação da descoberta.

O roedor tem longos bigodes brancos, patas posteriores muito desenvolvidas e cauda comprida. A cor do seu pelo é parda, com tons que variam entre o cinzento e o branco.

“Numa manhã, ao verificar as imagens de uma câmara que tinha colocado debaixo de uma grande pedra de granito, descobri que um animal havia ativado a célula. O roedor fotografado não parecia de nenhuma espécie que eu conhecia”, recorda o fotógrafo Gonçalo Rosa, a propósito das imagens que captou no verão do ano passado.

Roedor é diferente dos existentes em outros pontos da Europa

As fotografias foram enviadas depois para Hélia Vale Gonçalves e Paulo Barros, investigadores do Laboratório de Ecologia Aplicada, inserido no CITAB, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que confirmaram de imediato tratar-se de uma nova espécie no nosso país.

“Instalámos armadilhas específicas no local e conseguimos capturar dois animais: um macho e uma fêmea. Foram registadas as medidas biométricas (peso, comprimento da orelha, cauda, pata posterior e corpo) e recolhidas amostras para análise genética. Os animais foram libertados de seguida no local da captura”, refere ainda Gonçalves.

A análise genética efetuado o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recurso Genéticos (CIBIO-InBIO), com base nesses dados, determinou que apesar de geneticamente próximo a espécie é diferente das populações já estudadas no centro de Espanha.

O rato-das-neves encontra-se na Europa em zonas montanhosas, mas as “suas populações apresentam uma diferenciação genética considerável ao nível mitocondrial”, indica Joana Paupério, investigadora do CIBIO-InBIO, que refere ainda que “as populações espanholas estão classificadas como quase ameaçadas, pelo que a descoberta desta população em Portugal tem elevada relevância para a conservação deste roedor”.

Os investigadores – que divulgaram na publicação cientifica “Italian Journal od Zoology” um artigo sobre a descoberta – indicam ainda que vão levar a cabo “censos regionais rigorosos da distribuição dos micromamíferos para a efetiva conservação desta espécie”.