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Plataforma de Apoio aos Refugiados já angariou €125 mil

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Parte dos fundos recolhidos pela Plataforma de Apoio aos Refugiados vai ser canalizada para a JRS no Líbano

JRS

Fundos vão financiar projetos da Cáritas e Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) no Líbano, onde há atualmente quatro milhões de refugiados sírios. Plataforma quer recolher 200 mil euros até ao fim do ano

A Campanha "Linha da Frente", da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), já angariou 125 mil euros em donativos. A verba vai ser canalizada para projetos da Cáritas e do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) no Líbano, onde, em 2015, o número de sírios a fugir da guerra ultrapassou os quatro milhões.

A PAR Linha da Frente permite dar apoio aos refugiados nos países de origem ou vizinhos. Rui Marques, responsável da PAR, acredita que será possível recolher 200 mil euros até ao fim do ano.

No Líbano, que se transformou no país com maior concentração per capita de refugiados no mundo, há população em risco espalhada por todo o país, em campos improvisados ou apartamentos arrendados. Entre as muitas dificuldades que esta população enfrenta destaca-se a falta de segurança. O fardo económico causado pelo enorme fluxo de refugiados, aliado às relações complicadas entre os dois países, resultou no aumento das atitudes hostis em relação aos sírios.

"As más condições de habitação, o difícil acesso a uma alimentação adequada, as dívidas que os refugiados vão acumulando, juntamente com todos os fatores mencionados anteriormente, têm um forte impacto na saúde mental destas pessoas, aumentando os níveis de stress acumulados à experiência da fuga do país de origem e, muitas vezes, à existência de agressões", explica o JRS.

A Cáritas presta apoio aos refugiados sírios que fugiram para o Líbano

A Cáritas presta apoio aos refugiados sírios que fugiram para o Líbano

Cáritas

A crise no Vale do Bekaa

Com os fundos recolhidos pela PAR Linha da Frente, o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) Líbano pretende disponibilizar uma refeição diária durante um ano a 1720 crianças sírias integradas num projeto educativo que o JRS desenvolve em cinco escolas na região do Vale do Bekaa, no leste do Líbano.

Cada refeição oferecida tem um custo de 0,29 euros, pelo que 102 euros bastam para alimentar uma criança durante um ano. Para conseguir ajudar todas as crianças envolvidas, é preciso angariar, até ao final do ano, cerca de 180 mil euros.

Segundo o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), mais de 70% dos refugiados no Líbano não têm acesso aos valores nutritivos diários recomendados. Desde janeiro de 2015, o Programa Alimentar Mundial (PAM) cortou para metade o orçamento na região devido à falta de financiamento.

Mais de 67% dos refugiados no Líbano - em 2015, o número de refugiados a fugir da Síria ultrapassou os quatro milhões - vivem no norte do país e no vale de Bekaa, devido à proximidade com a Síria, em campos improvisados. Muitas crianças sírias são forçadas a começar a trabalhar na agricultura para ajudar as famílias. Não é, por isso, de estranhar que mais de metade adquire apenas as competências mínimas de leitura e escrita.

Desenvolvido desde 2013, o programa do JRS “Reaching All Children with Education”, abrange cinco escolas nas vilas de Kfar Zabad, Bar Elias e Lala, todas na província do Vale de Bekaa. Além de evitar o abandono escolar e a entrada precoce no mundo do trabalho, apoia as crianças que não têm acesso ao programa de educação formal desenvolvido pelo governo libanês para os refugiados (que deixa de fora mais de metade das crianças sírias em idade escolar).

JRS

O projeto do JRS funciona com base num currículo criado pelo Colégio Jesuíta de Notre Dame de Jamhour, em colaboração com a Universidade Jesuíta de Saint Joseph, e dá ainda apoio ao transporte das crianças, alimentação, produtos de higiene e apoio psicossocial.

É também no Vale de Beqaa, mais concretamente na cidade de Zahlé, junto à fronteira com a Síria, que a Cáritas vai aplicar os fundos recolhidos pela PAR – Linha da Frente. O objetivo é assegurar as necessidades básicas de 930 pessoas, refugiados sírios e iraquianos e algumas famílias libanesas, através da assistência humanitária em duas áreas fundamentais: alimentação e cuidados de saúde.

Fundada em 1972, a Cáritas Líbano tem uma área de intervenção que abarca a assistência médica, apoio social a refugiados e imigrantes, e dinamização de projetos de desenvolvimento económico. Em centros médicos e sociais espalhados pelo país, fornece serviços de saúde preventiva. Onde não há estruturas fixas, especialmente nas zonas rurais, há clínicas móveis. O apoio a imigrantes e refugiados é prestado pelo Centro de Imigrantes. Este trabalho aumentou, substancialmente, desde 2011 por causa da guerra na Síria.