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Lesados do BES. “Manif” em Lisboa assinala novo ciclo de protestos

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Pedro Nunes / Lusa

Junto à sede do Novo Banco, na Av. da Liberdade, os manifestantes estão tranquilos, ao contrário do que é habitual, e a grande maioria ergue bandeiras de Portugal e veste camisolas com palavras de ordem como “Não atiramos a toalha ao chão” e “Carlos Costa e Passos Coelho, carrascos dos poupados”

Algumas dezenas de lesados do BES estão a manifestar-se esta quarta-feira em frente à sede do Novo Banco, em Lisboa, no meio de um grande aparato policial, para exigir o reembolso do dinheiro que investiram em empresas do Grupo Espírito Santo.

No local estão uma dezena de carrinhas da polícia, vários elementos da polícia de intervenção e um gradeamento que circunda toda a sede do Novo Banco, não deixando os lesados aproximarem-se das instalações. Uma das faixas da Avenida da Liberdade está cortada ao trânsito, assim como a rua Barata Salgueiro.

Os manifestantes estão tranquilos, ao contrário do que é habitual, e a grande maioria ergue bandeiras de Portugal e veste camisolas pretas e brancas com palavras de ordem como "Não atiramos a toalha ao chão" e "Carlos Costa e Passos Coelho, carrascos dos poupados".

Segundo a Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC), este protesto - que se iniciou pelas 11h30 na Avenida da Liberdade, uma das principais ruas de Lisboa - marca o início de "uma segunda ronda de protestos (...) contra o comportamento lastimável que o Novo Banco tem tido para com os seus clientes relativamente ao ressarcimento das suas poupanças investidas em papel comercial".

Os lesados dizem que a intenção de cumprir com o pagamento foi assumido em documentos oficiais quando, a propósito da criação do Novo Banco, foi dito que "o papel comercial emitido pela ESI [Espírito Santo International] e RioForte transitam para o Novo Banco, e este mantém a intenção de assegurar o reembolso, na maturidade, do capital investido pelos seus clientes não institucionais junto das redes comerciais do Grupo BES de então" e consideram "inaceitável" a forma como o Novo Banco tem lidado com o caso.

Criticam ainda que o Novo Banco tenha movido processos contra clientes lesados, considerando que esse ato tem "intenções meramente intimidatórias".

O advogado que representa a AIEPC interpôs no verão uma providência cautelar contra o Banco de Portugal e o Fundo de Resolução, na qual os clientes exigem que o banco central informe um eventual comprador do Novo Banco do montante de papel comercial devido aos cerca de 2500 subscritores, que ronda os 530 milhões de euros, ou seja, que inclua esse montante como uma imparidade nas contas da instituição financeira.

Em setembro, terminou sem acordo o período de negociação com o potencial comprador do Novo Banco, esperando-se agora a abertura de um novo processo de venda nos próximos meses.