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Demência de Robin Williams levou-o ao suicídio, diz viúva do ator

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Robin Williams com a mulher, Susan Scheinder Williams

REUTERS

Mais de um ano depois da morte do ator norte-americano, a sua viúva revela o que o levou a pôr fim a uma vida dedicada a fazer os outros rir

A 11 de agosto de 2014, o mundo comovia-se com a morte precoce do ator norte-americano Robin Williams, aos 63 anos. O pai disfarçado de precetora de “Papá para Sempre”, o professor inspirador de “O Clube dos Poetas Mortos” ou o radialista memorável de “Bom dia, Vietname”, entre muitas outras fitas, tinha decidido pôr fim à vida, decisão inesperada para quem se dedicava a fazer o público soltar gargalhadas.

Agora, mais de um ano decorrido sobre esse momento, a viúva do ator, Susan Schneider Williams, decidiu finalmente esclarecer a causa que motivou o suicídio do marido: Robin sofria de Demência com Corpos de Lewy, uma doença neurológica que afeta principalmente pessoas na faixa etária entre os 50 e os 70 anos de idade.

Em entrevistas concecidas esta semana à revista norte-americana “People” e ao canal televisivo ABC News, Susan Schneider Williams conta que, apesar de a depressão ter sido na altura apontada como a causa do suicídio - inclusivamente pelos representantes da estrela de cinema -, este seria apenas “um dos cinquenta sintomas [que afetavam o ator], e até um dos pequenos”.

De acordo com a viúva, este foi “um caso muito raro” com o qual nem a família nem o próprio ator souberam lidar. Susan aproveita para deixar um desejo: “Rezo a Deus para que este caso traga alguma atenção à doença, pelo bem dos milhões de pessoas que sofrem com ela e respetivos entes queridos”.

Uma doença de diagnóstico complicado

Na altura, os representantes do ator argumentaram que a causa para a tragédia seria uma batalha que o ator estaria a travar contra a depressão. Três dias depois da morte de Robin Williams, a sua viúva também se manifestou em comunicado, explicando que o marido estaria a batalhar contra “depressão, ansiedade, e fases iniciais da doença de Parkinson, coisa que ainda não estava pronto para partilhar publicamente”. A última mulher do ator e comediante esclarece agora que ele se queixava de “uma lista interminável de sintomas” e que chegou a pensar que ele fosse “hipocondríaco”.

O diagnóstico chegou, finalmente, no outono que se seguiu ao suicídio do ator. Foi um relatório do médico legista de Marin County, na Califórnia, que esclareceu que Williams não sofria de Parkison, como se pensava, mas de Demência com Corpos de Lewy.

A doença é do foro neurológico e é facilmente confundida com as doenças de Parkinson ou de Alzheimer, uma vez que apresenta sintomas comuns a ambas. Entre os sinais da doença contam-se problemas de memória, mas também dificuldades nos movimentos, problemas de sono crónicos e alucinações. Por esta razão, o diagnóstico costuma ser difícil e demorado.