Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Afinal, a Antártida ganha mais gelo do que perde

  • 333

Investigação realizada pela NASA até parece uma boa notícia mas não há grandes motivos para comemorar. É que nos próximos 20 anos os cientistas continuam a antever um aumento global do degelo

Afinal, entre o deve e o haver, a Antártida, o continente onde fica o Polo Sul, está a ganhar mais gelo do que a perder, revela um estudo realizado pela agência espacial norte-americana.

As conclusões alcançadas pelos cientistas da NASA, depois de analisarem as medições realizadas com os altímetros dos satélites, contrariam, à primeira vista, as que têm sido anunciadas nos últimos dez anos, segundo as quais o degelo estaria a contribuir para uma subida do nível dos oceanos.

O que os cientistas da NASA perceberam agora é que neste continente com 14 milhões de quilómetros quadrados (a Europa tem 10,1 milhões) o gelo não está uniformemente distribuído e há regiões onde foram registados ganhos e noutras perdas.

É consensual entre a comunidade científica que na Península Antártida e em certas áreas do Ocidente o degelo prossegue e até regista um ritmo mais acelerado, enquanto a Oriente e no interior da Antártida Ocidental a camada de gelo tem vindo a crescer. O que os autores do estudo vêm dizer agora é que os ganhos são superiores às perdas.

Pelas contas da equipa de investigação liderada por Jay Zwally, a camada de gelo da Antártida mostrou um ganho líquido de 112 mil milhões de toneladas de gelo por ano entre 1992 e 2001. Este ganho diminuiu para 82 mil milhões de toneladas entre 2003 e 2008.

No curto prazo, estes ganhos até estarão a contrariar a subida do nível dos oceanos, compensando as perdas registadas em regiões como a Gronelândia, mas o crescimento acelerado do degelo na Península Antártida e em certas zonas da região ocidental bem como o decréscimo dos ganhos líquidos (menos 11 mil milhões de toneladas de neve por ano a partir de 1979), permite antever um aumento global do degelo nos próximos 20-30 anos, reconhecem os autores do estudo.

Uma outra investigação realizada no Postdam Institute for Climate Impact Research, da Alemanha, divulgada esta segunda-feira, sugere que assim será nos próximos 60 anos e que o degelo na Antártida Ocidental não será compensado por ganhos noutras regiões, devendo resultar num aumento em três metros no nível do mar.