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Portos da Madeira admite que novo cais do Funchal condiciona amarrações de navios

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O novo cais foi construído na sequência do temporal de 20 de fevereiro de 2010. A construção da obra, que nunca foi pacífica, custou 18 milhões de euros

A Administração dos Portos da Madeira (APRAM) reconheceu esta terça-feira que o novo cais 8 do Funchal, construído na sequência do temporal de 20 de fevereiro de 2010, condiciona as amarrações de navios, mas afirmou que situação era esperada.

A declaração foi feita no dia em que, numa situação pouco usual, o navio Braemar, com pavilhão das Bahamas e que transporta 650 passageiros e 400 tripulantes, está fundeado ao largo do porto e a usar as baleeiras para fazer transportar passageiros entre o navio e o cais da cidade.

A presidente do conselho de administração da APRAM, Alexandra Mendonça, reconhece que "o cais 8 é condicionado", mas refere que "era uma situação esperada" esta terça-feira, já que as condições de vento e mar estão "um pouco mais intensas".

O navio chegou cerca das 7h de segunda-feira, das ilhas Canárias, e zarpa hoje pelas 17h com destino ao mesmo local. Na segunda-feira, o processo de amarração foi considerado "mais ou menos normal" pela APRAM, apesar de as manobras terem demorado mais tempo do que o habitual. A demora foi justificada pela APRAM com a necessidade de o "comandante se inteirar das condições do novo cais e das condições de segurança", tendo a entidade sublinhado não ter havido "nenhum protesto por parte do comandante do navio".

Alexandra Mendonça recordou que o navio permaneceu no cais 8 desde a hora a que chegou até às 17h horas de segunda-feira, altura em que saiu para o cais sul, mais abrigado das condições do mar, e que apenas saiu esta madrugada por falta de espaço no mesmo cais.

Esta é uma situação confirmada pela JFM-Shipping, através de João Welsh, o agente do navio Braemar na região, que alerta para uma situação de antagonismo. "Há aqui duas verdades conflituantes: por um lado, se não houvesse este novo cais 8, havia navios que nem poderiam atracar devido à falta de espaço e das obras do cais norte", disse, exemplificando que, sem o novo cais, a JFM já teria perdido três escalas. "Por outro, este novo cais tem limitações e contingências que são bem conhecidas", acrescentou.

Até à data já dois navios cancelaram a estadia no porto do Funchal, durante o mês de outubro, devido à inexistência de espaço. O cais norte está atualmente em obras e apenas funciona o novo cais 8.

Novo cais nunca foi solução pacífica

Este novo cais, uma obra de 18 milhões de euros, nunca foi uma solução pacífica para a região, tendo nascido na sequência do temporal de 20 de fevereiro de 2010, visto que a solução encontrada para depositar os inertes arrastados nas ribeiras que desaguam no Funchal foi a frente mar da cidade.

Alexandra Mendonça recorda que "a primeira valência do cais 8 é a de proteger toda a área ajardinada da frente de proteção do depósito de inertes", reafirmando que "a segunda valência é de cais de acostagem", uma posição partilhada por João Welsh.

O atual presidente do executivo madeirense, Miguel Albuquerque, então presidente da Câmara do Funchal, reagiu negativamente à ideia de deixar os inertes naquele local e, consequentemente, ao novo cais, o que acabou por provocar mal-estar no relacionamento entre o Governo Regional e a autarquia.