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PSD defende reabertura da feira Popular na Bela Vista

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O líder dos sociais-democratas de Lisboa questiona se a existência de “interesses imobiliários” na escolha da terceira casa da Feira Popular

O líder da concelhia de Lisboa do PSD defendeu esta terça-feira que a Feira Popular deveria reabrir na Bela Vista e não em Carnide, como foi decidido pela Câmara, questionando a existência de "interesses imobiliários" na escolha desta localização.

"Há um desapontamento tremendo pela não partilha de um estudo que aponte para esta localização e, por isso, estamos preocupados que possam existir interesses imobiliários anexados a esta localização", disse Mauro Xavier, em declarações à agência Lusa.

O responsável defendeu que existem, na cidade, "outras localizações que não traziam custos, como a Bela Vista, onde a infraestrutura já está criada".

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS), anunciou hoje que a Feira Popular se vai mudar para Carnide e funcionar como um parque urbano de 20 hectares, um projeto "muito ambicioso", que a autarquia quer abrir "o mais rápido possível".

Em conferência de imprensa, nos Paços do Concelho, Medina apontou que, "até este momento", o investimento da Câmara nesta infraestrutura é de 11,5 milhões de euros, valor que se deve à aquisição de parte dos terrenos onde vai funcionar a feira.

Para o social-democrata Mauro Xavier este valor já gasto "corresponde à totalidade paga pelos moradores pela Taxa Municipal de Proteção Civil, excluindo as empresas e os espaços comerciais".

"É um financiamento por teimosia de uma decisão que vai ter custos para a cidade", vincou.

Apesar de se congratular "com a existência desta valência na cidade", Mauro Xavier adiantou que o partido "vai acompanhar de perto e fiscalizar o processo, tanto na Assembleia Municipal como na Câmara", assegurando que se surgir "alguma suspeição", o PSD irá "mandá-la para o Ministério Público".

Também o vereador social-democrata António Prôa considerou, em nota enviada à Lusa, que "a localização da futura Feira Popular é uma boa notícia para Lisboa".

Apontou a "relevância metropolitana" da feira, o vereador questionou, no entanto, se "será devidamente acautelado o bem-estar dos moradores" e se "a instalação de equipamentos será compatível com o ordenamento do território definido nos instrumentos de gestão territorial".

Prôa criticou, ainda, a falta de "aprofundamento [do assunto] nos órgãos do município".

A Feira Popular foi criada inicialmente para financiar férias de crianças carenciadas e mais tarde passou a financiar toda a ação social da Fundação "O Século". Antes de Entrecampos, onde encerrou em 2003, a feira funcionou em Palhavã.

Os terrenos de Entrecampos estiveram na origem de um processo judicial que envolveu a Câmara de Lisboa e a empresa Bragaparques, que se arrastou por vários anos.

Quando a Feira Popular abriu para a última temporada, a Câmara de Lisboa, então presidida por Pedro Santana Lopes, tencionava criar um novo parque de diversões, mas a ideia nunca avançou.

Estes terrenos foram, entretanto, colocados em hasta pública por um valor base de 135,7 milhões de euros.

Como não apareceu nenhum interessado para o ato público do passado dia 20 de outubro, a Câmara avançou com uma "segunda fase" do processo de alienação, prevendo vender estes terrenos numa nova hasta pública, a realizar no dia 03 de dezembro.