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Governo inglês estuda introdução de exames nacionais aos 7 anos

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SUZANNE PLUNKETT / Reuters

Medidas anunciadas pela ministra da Educação britânica incluem incentivos à deslocação dos melhores professores para as escolas mais difíceis

A questão é polémica cá, mas não só. Em Inglaterra, no seu primeiro grande anúncio de medidas para o sector, a ministra da Educação defendeu alterações ao sistema de avaliação dos alunos e que passarão por testes “mais rigorosos e robustos”, a partir dos sete anos. Atualmente, as crianças no 2.º ano da escola são sujeitas apenas a provas pelos professores e os resultados comunicados às autoridades educativas locais. Agora, Nicky Morgan abre a porta a reintrodução de exames nacionais, abolidos há mais de uma década. O discurso gerou já uma onda de críticas, em particular dos sindicatos.

"Para termos a certeza de que há progressos ao longo do ensino primário, vamos olhar para a avaliação dos alunos aos sete anos e fazer com que sejam tão robustos e rigorosos como têm de ser", argumentou Nicky Morgan, citada pelos jornais ingleses.

Do lado dos críticos, os argumentos mais invocados são os mesmos que por cá se ouviram com a política de reforço de exames nacionais que foi seguida nos últimos anos – em Portugal há actualmente exames nacionais no 4.º, 6.º, 9.º anos e secundário. Os currículos ficam mais pobres com as escolas a concentrarem-se em demasia nos resultados dos exames nacionais e em subir nos rankings. As crianças ficam stressadas. E não há provas de que passem a saber mais inglês ou matemática por serem sujeitas a exames.

A ministra da Educação garante que esta reforma será trabalhada com diretores de escolas, para que, no final, “as escolas possam ser responsabilizadas e recebam crédito total pelo progresso que consigam nos resultados dos seus alunos”.

“É espantoso o grau de incapacidade do Governo em perceber que a sua abordagem em relação à aferição do desempenho das escolas, e do sistema em geral, está a transformá-las em máquinas de fazer exames”, criticou o secretário-geral da Sindicato Nacional de Professores. Inglaterra “já é o país que em toda a Europa que mais testa os seus alunos”, acrescentou.

Outra das medidas anunciadas passa pela criação de um programa de incentivo à deslocação dos melhores professores para as escolas onde ninguém ou poucos querem trabalhar. “Demasiadas crianças e jovens não estão a receber as mesmas oportunidades para ser bem-sucedidos por causa do lugar onde vivem”, criticou a responsável, citada pelo “The Guardian”.

Em causa estão sobretudo escolas de áreas rurais e costeiras de Inglaterra, que têm tido grandes dificuldades de recrutamento e apresentado maus resultados. O Governo está disposto a pagar salários mais altos, ajudas de custos e progressão na carreira mais rápida a 1500 professores com provas dadas que aceitem trabalhar nesses estabelecimentos de ensino por um mínimo de dois anos. Porque “um só professor que venha de fora, com novas ideias, faz uma grande diferença”, diz Nicky Morgan.

Sob o nome de Serviço Nacional de Ensino, o programa vai já começar a ser testado numa região do noroeste de Inglaterra, com o recrutamento de uma centena de professores. As escolas podem pedir ajuda e os docentes que incluam esta bolsa serão designados para se deslocarem.