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É pior adormecer tarde ou acordar regularmente durante a noite? A ciência responde

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É uma das questões mais colocadas quando o assunto é o sono. A ciência aponta para que o sono interrompido seja pior do que o sono que dura poucas horas

PHILIPPE MERLE

Um estudo conduzido por investigadores norte-americanos esclarece que é mais prejudicial acordar várias vezes durante a noite do que deitar tarde e dormir sem interrupções. É melhor começar a afastar o telemóvel da mesa de cabeceira para não cair em tentação

Dorme poucas horas por noite? Se sim, dorme sem interrupções ou dá por si a levantar-se uma vez para ir à casa de banho, outra porque tem fome e ainda outra para ver se tem alguma mensagem no telemóvel? Nenhuma das opções é a ideal, mas um estudo conduzido pelo investigador norte-americano Patrick Finan demonstra que as pessoas que dormem poucas horas seguidas acordam mais bem-dispostas, mesmo deitando-se tarde, do que aquelas que dormem as mesmas horas mas com interrupções.

O professor de Psiquiatria e Ciências Comportamentais na Universidade John Hopkins, EUA, conduziu um estudo com uma amostra de 62 homens e mulheres saudáveis. Os participantes passaram três dias e três noites num laboratório, respondendo a questões sobre as suas emoções e o seu humor, todas as noites, antes de adormecer. O grupo foi dividido em três: os participantes que eram acordados por várias vezes durante a noite; os que eram obrigados a adormecer tarde mas que depois podiam dormir sem ser interrompidos; e os que dormiam toda a noite normalmente.

No final da experiência, Finan comparou o humor de cada participante e chegou à conclusão de que tanto o primeiro como o segundo grupos apresentavam participantes com pior disposição após a primeira noite. No entanto, após a segunda e a terceira noites, os dois primeiros grupos apresentavam resultados diferentes: as pessoas que dormiam poucas horas seguidas apresentavam melhor humor do que as que viam o seu sono ser interrompido.

Sono interrompido impede que recuperemos do stresse

O investigador avisa assim que “não devemos prestar atenção apenas à quantidade ou à qualidade do sono, mas à combinação dos dois fatores”. Para Finan, importa sublinhar que “o sono interrompido impede-nos de recuperar do stresse ou estabilizar as nossas emoções positivas”.

A experiência serviu ainda para perceber que os participantes que não puderam dormir muito tempo seguido apresentaram mais dificuldades em chegar às fases de sono mais profundas e reparadoras.