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Comerciantes acusam. Mau planeamento responsável pelas cheias em Albufeira

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LUÍS FORRA / Lusa

O presidente da Associação de Comerciantes de Albufeira sublinha que os prejuízos são “avultadíssimos” e que existe, entre os lojistas, um sentimento de “revolta” pelo facto de ainda não terem sido ressarcidos dos gastos feitos nas cheias de 2008

O presidente da Associação de Comerciantes de Albufeira considera que as inundações que este domingo devastaram a baixa da cidade se devem, em parte, ao mau planeamento na construção, que afetou o curso natural das linhas de água.

Em declarações à agência Lusa, Luís Alexandre disse esta manhã que as condutas de águas pluviais colocadas na zona da baixa de Albufeira têm um diâmetro inferior ao que seria aconselhável, o que provoca o congestionamento das águas no seu curso natural para a praia, e, consequentemente, inundações.

"As últimas cheias de 2008 devem-se, também, ao facto de, não só o Polis, como a Câmara de Albufeira, terem instalado canos com diâmetros insuficientes, como, ainda por cima, terem construído paredes nas caixas de água para evitar que a água fosse para a praia", refere, sublinhando que no domingo aconteceu o mesmo, só que "com um volume de água cinco vezes superior".

Segundo aquele responsável, tanto agora como em setembro de 2008, quando se verificaram cheias semelhantes na cidade, "a água bateu nessas paredes, não ia para a praia, mas voltou para trás e levantou as tampas, causando a inundação.

Luís Alexandre pede à Câmara de Albufeira para que seja célere a transmitir uma mensagem aos comerciantes e também que seja implementado rapidamente um plano para que a cidade possa regressar à normalidade.

"Não vamos exigir que às primeiras horas tudo se resolva, mas tem de haver uma planificação para restituir a cidade ao funcionamento", considera, acrescentando que é imperioso que Albufeira esteja pronta a receber os turistas na festa de fim de ano.

Segundo o empresário, a maior parte dos comerciantes não tem contratualizados seguros que cubram prejuízos causados por intempéries, tal como ele próprio, proprietário de vários estabelecimentos no concelho.

O presidente da Associação de Comerciantes de Albufeira sublinha que os prejuízos são "avultadíssimos" e que existe, entre os comerciantes, um sentimento de "revolta" pelo facto de ainda não terem sido ressarcidos das últimas cheias de 2008.

"Neste momento existe uma enorme revolta e preocupação por parte dos comerciantes relativamente a obter respostas com alguma brevidade", conclui.

O presidente da Câmara de Albufeira estimou na manhã desta segunda-feira em "largos milhares de euros os prejuízos" causados pelas inundações de domingo, mas "para já" não irá avançar com o pedido de situação de calamidade pública.

No centro da cidade de Albufeira, a zona mais atingida pelas fortes chuvas e onde a água atingiu cerca de 1,80 metros de altura, as equipas de limpeza e os comerciantes ainda tentavam esta manhã remover lamas e objetos arrastados pela corrente.