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Braga capital da música eletrónica

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Vítor Joaquim - As Marcas da Gravidade

D.R.

Semibreve arranca sexta-feira e é já uma dos festivais mais conceituados do mundo

Renato Ferreira

Arranca esta sexta-feira, em Braga, a 5ª edição do Semibreve, o Festival de Música Eletrónica e Artes Digitais. Se no início era uma espécie de encontro especializado para conhecedores, o Semibreve passou a ser uma experiência anual “fruível por toda a gente”, garante o músico e programador do festival Luís Fernandes.

Dar uma amostra bastante ampla do que é a música eletrónica dos nossos dias e tentar desmistificar o que muitas vezes é a perceção do público em geral – a de que este tipo de música é apenas de dança ou talhada para discotecas -, são objectivos deste festival que em 2015 tem a sua maior edição de sempre.

Não quer ser um certame de massas, porque para isso teria que sair dos atuais espaços onde acontecerá: o Theatro Circo, o GNRation e a Casa Rolão. Mesmo assim, Luís Fernandes estima que poderão ser 2500 as pessoas que, este ano, aproveitarão esta oportunidade para ver, ouvir e sentir “uma experiência única” através de nomes sonantes da música eletrónica nacional e internacional.

Logo a abrir, pelas 21h30 de sexta-feira, Hans-Joachim Roedelius, de 81 anos, uma referência da música electrónica do século XX e agora também do século XXI, estará acompanhado pelos convidados portugueses André Gonçalves, José Alberto Gomes, Rui Dias e a artista visual Maria Mónica para um concerto único no Theatro Circo. Trata-se de um “concerto que só existirá uma vez na vida, cá”, sublinha Luís Fernandes.

Também sexta-feira, mais tarde, no espaço GNRation, outra obra especialmente comissionada para o Semibreve, a do projeto Heatsick – criação do músico e artista visual Steven Warwick. Está em Braga no âmbito de uma residência artística e a sua presença consolida a vontade dos organizadores de “cada vez mais assumir esta componente de encomenda a artistas internacionais de relevo”, conforme apontou Luís Fernandes.

Steven Warwick, um britânico agora a viver e a trabalhar em Berlim, habituado a sítios saturados de pessoas “e cheios de distrações”, disse ao Expresso que “Braga é agradável e relaxante porque podemos simplesmente sentar num café e observar como as pessoas se comportam”. Uma experiência que molda também a sua obra, uma vez que se sente “influenciado por fontes musicais e não musicais”.

Para além dos concertos de Powell, Dopplereffekt, Luke Abbott, Tim Hecker, Klara Lewis ou Takami Nakamoto & Sebastian Benoits, o festival tem também um vasto programa de instalações como a “Quietude Acelerada”, do norte americano Phill Niblock e da portuguesa Ana Carvalho, ou o “Gamelão Robótico” da Digitópia/Casa da Música.

O Semibreve é um dos 10 festivais de outubro, em termos mundiais, preferidos pela Resident Advisor, e considerado pela publicação inglesa "Dazed and Confused" um dos 26 festivais mais interessantes do mundo. Luís Fernandes, o programador artístico assegura que “em Portugal não há muitas oportunidades para este tipo de músicos tocarem regularmente”, o que faz ainda mais deste festival um acontecimento “singular” e “quase único” no panorama nacional.

Uma organização da AUAUFEIOMAU, tendo como apoios a Câmara Municipal de Braga e a Fundação Bracara Augusta, os passes gerais do Semibreve já esgotaram há dois meses e os passes diários há trinta dias, embora ainda tenham sobrado três centenas de bilhetes singulares para os três dias de concertos na sala principal do Theatro Circo, destinados ao público de última hora.