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Roubo de identidade, burlas bancárias e burlas românticas entre os cibercrimes

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O aumento do número de cibercrimes levou a APAV a criar um projeto para apoiar as suas vítimas

O número de vítimas de criminalidade cibernética tem aumentado e, nos últimos anos, a procura de ajuda junto da APAV tem sido crescente, o que levou a associação a criar um projeto para apoiar vítimas e capacitar técnicos.

O projeto dá pelo nome de Proteus e foi desenvolvido pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), em parceria com a Procuradoria-geral da República, a Polícia Judiciária, a Procuradoria-Geral Espanhola, a Polícia Romena e o Centro de Violência de Género de Parnu, Estónia, tendo sido cofinanciado pela Comissão Europeia.

"Aquilo que a APAV vem sentindo é uma crescente procura, por parte de vítimas de diferentes tipos de cibercrime, e sentimos a necessidade de nos preparamos e de definirmos modelos de intervenção e preparar técnicos para prestar o melhor apoio possível às vítimas", explicou Frederico Moyano Marques, assessor técnico da direção da APAV.

De acordo com o responsável, o número de queixas que chega à associação ainda não é muito elevado e rondará "uma ou duas dezenas de casos", mas já justifica que seja criada uma estratégia específica.

Um dos casos que chegou à APAV é o de uma senhora que, ao analisar o extrato bancário, constatou que lhe tinham sido retirados 20 mil euros da conta de um dia para o outro.

Frederico Marques explicou que depois de feita uma análise, percebeu-se que a pessoa tinha sido vítima de 'fishing' de dados bancários, em que, sem dar conta, facultou os seus dados através de uma página na internet que ela acreditava pertencer ao seu banco, o que permitiu que o criminoso transferisse o dinheiro para outra conta.

Outro caso de crime cibernético é o furto de identidade e outro dos casos que chegou à APAV diz respeito a uma pessoa cujo ex-companheiro entrou na sua página de Facebook, fazendo-se passar por ela, e colocou vídeos e fotos íntimas.

Outro fenómeno cada vez mais frequente são as chamadas burlas românticas, tendo chegado à APAV o caso de uma pessoa que iniciou uma relação amorosa numa rede social com alguém que dizia ser militar e que estava em missão no estrangeiro.

Com o argumento de que estava hospitalizado, o suposto militar convenceu a vítima a pagar as despesas médicas e esta acabou por fazer várias transferências, no total de cerca de 15 mil euros.

Segundo Francisco Marques, começam a ter uma dimensão relevante os casos em que as vítimas acabam por se suicidar quando percebem que foram alvo de uma burla, não só pelos danos patrimoniais, mas "sobretudo pelo impacto emocional", quando percebem que, durante meses ou anos, viveram uma relação que não só não era verdadeira, como o único intuito era a extorsão de dinheiro.

De acordo com o assessor da APAV, as cifras negras neste tipo de crime "são particularmente relevantes" já que "a vergonha tem um papel muito bloqueador da denúncia", razão pela qual é preciso motivar a vítima a apresentar queixa, mostrando que este é um tipo de crime que pode acontecer a qualquer um.

Frederico Marques não tem dúvidas em afirmar que tem de ser feita uma grande aposta na prevenção, com vista a educar e sensibilizar para um comportamento 'online' o mais responsável e mais seguro possível, razão pela qual a APAV lança uma campanha já no próximo mês de novembro.

Sublinhou que é cada vez mais fácil o cidadão comum obter na internet 'software' para a captura de dados, ao mesmo tempo que são cada vez mais as pessoas que gerem toda a sua vida 'online' sem que tenha havido o devido processo de educação, formação ou sensibilização para o risco e para o uso responsável.

O projeto Proteus vai ser apresentado no âmbito de um seminário, que decorre nos dias 29 e 30 de outubro, no auditório da Polícia Judiciária, em Lisboa.