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“Correio da Manhã” proibido de dar notícias sobre Operação Marquês. “Acatamos mas vamos contestar”

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Marcos Borga

Providência cautelar de José Sócrates foi aceite pela Comarca de Lisboa e impõe multas de até 2000 euros diários em caso de desobediência. Cofina vai contestar decisão do tribunal e tem três dias para retirar de circulação jornais com pormenores do processo que envolve o ex-primeiro-ministro

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

Todos os meios de comunicação do grupo Cofina - do “Correio da Manhã” à revista “Flash”, passando pela “Sábado” - estão proibidos de publicar notícias que divulguem dados da operação Marquês. A decisão do Tribunal da Comarca de Lisboa é provisória - deferiu uma providência cautelar da defesa - e visa apenas jornalistas daquele grupo de comunicação social.

Contactado pela Antena 1, Eduardo Dâmaso, diretor-adjunto do matutino, já reagiu: “Acatamos mas vamos contestar”. O “CM” publica na edição desta quarta-feira uma nota editorial em que argumenta que “este tipo de silenciamento aproxima-se perigosamente da ideia de censura prévia”. Neste texto, o jornal assegura: “Não será esta providência cautelar que vai parar a investigação do ‘CM’ sobre o político Sócrates e que vem desde um tempo em que não havia qualquer investigação sobre ele”.

Na edição desta quarta-feira, o “Correio da Manhã” faz também capa com a notícia, acusando Sócrates de “tentar calar” o órgão com uma “mordaça”. No artigo que revela pormenores sobre a providência cautelar, o jornal afirma que o objetivo do ex-primeiro-ministro é “travar e calar” o “Correio da Manhã”.

A defesa de José Sócrates avançou com esta providência cautelar depois de ter sido decretado o fim de segredo de Justiça interno no processo. Vários jornalistas do grupo constituíram-se assistentes e passaram a ter acesso a todos os elementos do processo. O “CM” tem divulgado nas últimas semanas vários elementos do caso, como por exemplo escutas que envolvem José Sócrates.

O tribunal impõe multas entre os 500 e os 2000 euros diários se a decisão não for acatada. De acordo com a mesma decisão, o grupo tem três dias para retirar de circulação todos os exemplares do “Correio da Manhã” que contêm elementos do processo.