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Carne vermelha: reunião de emergência sem mudanças no terreno

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EITAN ABRAMOVICH/AFP/Getty Images

Peritos nacionais garantem que o alerta da OMS sobre o risco de cancro associado ao consumo de carne vermelha processada não obriga a mudar a estratégia de Saúde nacional

As doze entidades que esta quarta-feira se reuniram para analisar o relatório dos peritos em cancro da Organização Mundial da Saúde (OMS), dando conta da existência de um risco cancerígeno associado à ingestão diária de enchidos, presunto e afins, terminou com a convicção de que não é preciso mudar as orientações nacionais. As mensagens veiculadas há muito que estão no caminho da redução do consumo de carne vaca, porco ou borrego, por exemplo.

Marcada de emergência pela Comissão de Segurança Alimentar, a reunião teve como objetivo analisar o alerta internacional. Elementos do ministério da Economia, da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica, da Direção-Geral da Saúde, e de outras entidades, reconheceram que os dados divulgados “são importantes para reforçar os cuidados que a população deve ter com o consumo de alimentos, sobretudo de carne vermelha processada”, explica o representante da DGS e diretor do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, Nuno Miranda. Mas isto não é novidade.

“Irá ser publicado um comunicado e espera-se que não aconteça mais nada, porque os portugueses estão informados para a necessidade de moderar o consumo deste tipo de carnes e já o fazem”, acrescenta. O oncologista salienta que a presença de carne no prato diminuiu 10% nos últimos 8 anos - “e que ainda é preciso reduzir mais” - e que a preferência à carne branca já consta dos programas de saúde alimentar, por exemplo.

Nuno Miranda é taxativo: “É necessário perceber que as carnes vermelhas processadas foram colocadas no mesmo grupo do tabaco mas o risco não é semelhante”. Por outras palavras, “neste grupo também está a poluição do ar e não é por isso que dizemos às pessoas para não saírem à rua”.