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Luaty Beirão termina greve de fome: “A máscara já caiu. A vitória já aconteceu”

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Clementina-Fazuma

Ao cabo de 36 dias sem comer, o ativista luso-angolano pôs termo à greve de fome em que se encontrava, confirma o seu advogado. Numa carta aos companheiros detidos, Luaty diz que muita coisa mudou nas últimas semanas e garante que continuará a lutar

O rapper e ativista angolano Luaty Beirão, internado sob detenção numa clínica de Luanda, terminou a greve de fome de protesto contra a sua prisão preventiva ao fim de 36 dias, informou esta terça-feira o advogado.

O luso-agolano e outros 15 companheiros foram detidos a 20 de junho, durante uma reunião semanal e acusados da coautoria material de um crime de atos preparatórios para uma rebelião e para um atentado contra o Presidente de Angola.

Segundo a acusação, reuniam-se aos sábados para discutir as estratégias e ensinamentos da obra "Ferramentas para destruir o ditador e evitar uma nova ditadura, filosofia da libertação para Angola", do professor universitário Domingos da Cruz - um dos arguidos detidos -, adaptado do livro "From Dictatorship to Democracy", do norte-americano Gene Sharp.

Numa "carta aos companheiros da prisão", Luaty defende que juntos conseguiram "muita atenção" em volta da causa comum. "Muita dela recai agora sobre mim. Por isso pedi para me juntar a vocês em São Paulo e assim, podermos falar a uma só voz."

E reitera inocência, sublinhando que a ação já representou uma vitória."Estou inocente do que nos acusam e assumo o fim da minha greve de fome. Sem resposta quanto ao meu pedido para aguardarmos o julgamento em liberdade, só posso esperar que os responsáveis do nosso País também parem a sua greve humanitária e de justiça. De todos os modos, a máscara já caiu. A vitória já aconteceu”, acrescentou.

Por fim, Luaty apela à luta por um país com mais justiça e liberdade. "Abracemos todo o amor que recebemos e agarremos todas as ferramentas. Juntos. Já não somos os ‘arruaceiros’. Já não somos os “jovens revús”. Já não estamos sós. Em Angola, somos todos necessários. Somos todos revolucionários. Foi assim que o nosso país nasceu mas, desta vez, lutamos por uma verdadeira transformação social, em paz."

Leia a carta de Luaty Beirão aos outros ativistas detidos, divulgada pela Rede Angola