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Seis sítios para lanchar em Lisboa e Porto

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Nuno Botelho

Em pleno inverno, não há nada mais reconfortante do que uma chávena de chá. Com ou sem scones, há muitas opções em Lisboa e no Porto

Lisboa

Ao som do piano

Há um ritual que se repete todas as terças e quintas-feiras à tarde no emblemático Hotel Avenida Palace.

É o dia em que o serviço de chá (€20) se junta ao pianista que vai animar o clássico hotel. Digno das suas cinco estrelas, e a fazer lembrar o Plaza de Nova Iorque, o chá divide-se em dois momentos. Primeiro chega a bebida e uns scones em ponto grande e depois continua com sanduíches e bolos, feitos na hora pelo chefe pasteleiro. Quem quiser pode acrescentar um copo de champanhe à refeição (mais €5).

Rua 1 de Dezembro, 123, Lisboa. Tel. 213 218 120

Legítimo chá

Apesar do restaurante se chamar Bastardo, a sua ementa de chá não tem nada de ilegítimo. Pelo Contrário. Mal se chega somos recebidos por um sommelier do chá que, mediante o estado de espírito do cliente, começa a preparar a bebida, feita também com ervas plantadas no jardim do espaço. Para acompanhar há uma ementa variada, com nomes em tom de brincadeira, como o crepe Susana (€6), acompanhado por uma bola de gelado, a viagem de Catarina de Bragança (€15), um prato de três andares repleto de doces e salgados, o croque senhora (€4), uma espécie de tosta com queijo, ovo e fiambre, a fatia dourada com fruta e vinho do Porto (€5) ou o pastel do Belém (€1). É tudo feito na hora.

Rua da Betesga, 3, Lisboa. Tel. 213 240 993

Como no tempo das avós

Envolvido pelo verde da serra de Sintra e pelo requinte da decoração, o Palácio de Seteais provoca uma viagem ao passado. Ao tempo em que as nossas avós reservavam um dia por semana para receber a família e os amigos para o chá. Ao serviço clássico e atencioso dos funcionários junta-se um apetitoso e variado buffet (€20). Há bolos caseiros, os tradicionais travesseiros e queijadas de Sintra, pães, croissants, enchidos e originais torradas, como a de maçã. O lanche à portuguesa - é assim que aqui se chama a hora do chá - só está disponível aos fins de semana e feriados, mas é o suficiente para fazer qualquer um sonhar.

Para terminar refeição, nada melhor do que uma caminhada pelos jardins.

Rua Barbosa du Bocage, 8, Sintra. Tel. 219 233 200

Da horta biológica

Todos os dias à tarde, a hamburgueria To B. transformase em casa de chá. E apesar da ementa ser variada, com tostas de frango (€5,90) e de queijo (€4,90), bolos caseiros, como a tarte folhada de maçã (€2,50), o de limão (€1,50), o de chocolate (€3,50), e de ter um guloso chocolate quente (€3,50), resultado de uma mistura entre diferentes variedades, valia a pena ir só pelo chá. Vindo de uma quinta biológica, o chá da Herdade do Freixo do Meio é o grande destaque. "Foram os nossos clientes que nos pediram para termos lanches", revela Carla Cortês, uma das donas.

Rua Capelo, 24, Lisboa. Tel. 213 471 046

Porto

A tradição ainda é o que era no Porto burguês

Os sofás de veludo cor de vinho, as toalhas de linho rosa, os talheres e bules de prata, a faiança azul e branca de prata, os mognos e espelhos, tudo ajuda a transportar os visitantes fiéis, mais elas do que eles, para um Porto de raízes britânicas. Há chás fora de horas, mas o ritual do chá das cinco introduzido por Catarina de Bragança na corte inglesa permanece imutável no Chá Clube, no Edifício Aviz. As opções de chás são 32 (bule para dois €5) vindas de Ceilão, Formosa ou Açores, servidos com brioches ou scones.

Avenida da Boavista, 3521, Loja 19. Porto. Tel. 226 178 459

Inspiração oriental

A Rota do Chá é para levar a sério. No exótico jardim ou salão, a carta chega aos 320 chás, servidos em bule de ferro forjado que purifica a água (€2,50). Sem hora protocolar, nunca é cedo ou tarde para bebericar um Guansee nepalês, um Milky Oolong de Tawain ou chás de sabor a Vinho do Porto. Com scones não é pior.

Rua Miguel Bombarda, 457, Porto. Tel. 914 394 027

Como se serve um chá?

É provável que o leitor estranhe este título. Afinal, já toda a gente fez chá em casa e não foi preciso ler nenhum manual. Mas, avisam os especialistas, é muito mais do colocar água a ferver e despejar por cima de umas ervas. Primeiro, há que distinguir chaleira de bule. O primeiro é para aquecer a água, o segundo é onde se a coloca antes de levar à mesa e servir. Uma dica, enquanto a água aquece na chaleira, deve lavarse o bule com água quente. "O chá deverá ser servido num bule, previamente escaldado com água a ferver, deixando repousar, cerca de três a cinco minutos, e só então ser servido para uma chávena", explica Luís Neto, sommelier do chá no Bastardo. As boas regras do bem receber dizem que há que ter casca de limão e vários tipos de leite para os convidados que fazem questão de beber chá com acompanhamento. Porém, também na sequência do que entra dentro da chávena há passos a seguir. "Em princípio deverá ser colocada uma pequena quantidade de leite no fundo da chávena", frisa Luís. Numa altura em que regressou a moda do chá em ervas será que ainda se podem comprar saquetas no supermercado? Depende sempre da qualidade, mas sim é possível. E atenção que é uma saqueta por cada chávena que se vai servir. Só que a quantidade de ervas e com a facilidade com que se podem plantar em casa não compensa. "As ervas frescas são mais naturais e contêm mais sabor e aromas."