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Onze locais do passado para ver antes de morrer

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Porque infelizmente não temos garantido que o património histórico dure para sempre, deixamos 11 sugestões de visitas que não deve deixar de fazer

Num momento da Humanidade em que o Património não está seguro, urge conhecer alguns lugares especiais. Antes que se repitam crimes como a destruição de Palmira, na Síria, planeie as suas viagens culturais a pensar em passar por aqui. Por muitos tours virtuais da maior qualidade que existam, nada substitui ir conhecer o terreno pelo seu próprio pé. Prepare-se para embarcar numa viagem no tempo...

1. Segovia (Espanha)

O Aqueduto Romano de Segovia, em Espanha, é uma magnífica obra de engenharia civil do século I d.C.

O Aqueduto Romano de Segovia, em Espanha, é uma magnífica obra de engenharia civil do século I d.C.

DOMINIQUE FAGET

Património da Humanidade, Segovia, na região autónoma de Castela e León, é uma cidade-museu em excelente estado de conservação. A arquitetura medieval domina o centro, bem preservado com o seu palácio e catedral, mosteiros e tabernas. Mas a "pièce de resistance" deste burgo espanhol, a dominar a praça central, é a magnífica obra de engenharia civil do século I d.C.: o aqueduto romano de dois andares e arcadas, com quase 30 metros de altura. Dali tem-se uma fantástica vista sobre as planícies da velha Castela.

2. Ruínas de Pompeia (Itália)

Em Pompeia, perto de Nápoles, é possível apreciar uma cidade sepultada pela explosão do Vesúvio, em 79 d.C.

Em Pompeia, perto de Nápoles, é possível apreciar uma cidade sepultada pela explosão do Vesúvio, em 79 d.C.

Giorgio Cosulich

A 22 km de Nápoles ergue-se a antiga cidade de Pompeia, destruída por uma enorme erupção vulcânica no ano de 79 d.C.. Uma intensa chuva de cinzas sepultou o local durante séculos, até que em 1748 as ruínas foram descobertas por acaso. As cinzas e a lama tiveram um efeito de conservação até nos corpos das vítimas, que se encontram nas posições em que estavam na altura da erupção. O que torna tão especial a cidade de Pompeia é o facto de poder palmilhar as suas ruas e ter a sensação de estar a repetir os mesmos passos dados há muitos séculos. Estas ruínas permitem uma fiel visita a todos os elementos de uma cidade romana - dos famosos banhos romanos ao bordel, dos impressionantes corpos petrificados pelo Vesúvio aos magníficos frescos nas paredes das habitações. Pompeia é uma verdadeira viagem no tempo, como se tivesse parado durante séculos até aos dias de hoje.

3. Acrópole de Atenas (Grécia)

A Acrópole de Atenas é um dos conjuntos arquitetónicos mais bem preservados da Antiguidade Clássica

A Acrópole de Atenas é um dos conjuntos arquitetónicos mais bem preservados da Antiguidade Clássica

Matt Cardy

Subir à Acrópole é um marco para qualquer viajante. Independentemente do calor, da poluição e das hordas de turistas, a Acrópole de Atenas, numa colina a 150 metros acima do nível do mar, continua a ser dos monumentos mais interessantes do mundo. Construída em cerca de 450 a.C., e dedicada a Atena, a deusa padroeira da cidade, a Acrópole alberga o Parténon, o principal templo de Atenas, o Erecteion, templo dos deuses do campo, o Propileu, portal de entrada para a parte sagrada da Acrópole, e o Templo de Atena Nice, simbólico da harmonia do estado de Atenas. As ruínas da Acrópole foram alvo de uma extensa renovação na década de 1920, após o que adquiriram o aspeto que têm atualmente.

4. Aphrodisias (Turquia)

A umas horas de viagem da costa do Mar Egeu, a pequena aldeia grega de Aphrodisias foi uma das maiores descobertas arqueológicas dos últimos 50 anos. Batizada em honra de Afrodite, a deusa grega do Amor (a Vénus Romana), esta pequena joia encontra-se em excelente estado de conservação: anfiteatro, teatro, templos e câmara do conselho podem ser visitados. Há ainda um santuário especial dedicado à adoração dos imperadores romanos, com 80 painéis esculpidos, onde se inclui a primeira imagem conhecida da província da Britânia (atual Reino Unido) e outra da imperatriz Agrippina a coroar o seu filho Nero. As esculturas em mármore de Afrodísias tornaram-se famosas no mundo romano, tendo muitos exemplos de estatuária sido desenterrados ali.

5. Delfos (Grécia)

Delfos, na Grécia, é particularmente conhecida pelo seu Oráculo

Delfos, na Grécia, é particularmente conhecida pelo seu Oráculo

Sean Gallup

O oráculo de Delfos, onde as pessoas (e alguns heróis mitológicos, como Hércules) iam conhecer a sua sorte ou infortúnio, é porventura um dos mais conhecidos do mundo. Mas esta cidade grega é rica em muitos outros elementos arqueológicos. Considerada o centro do universo durante a Antiguidade, o oráculo, situado no interior de um templo dedicado ao deus Apolo, funcionava com a ajuda de uma fonte que emitia vapores para que a Sibila, ou Pitonisa, vaticinasse o futuro de quem a procurava. Delfos albergava também os Jogos Píticos. Atualmente, ainda é possível visitar o estádio. onde se realizavam as corridas, o magnífico anfiteatro ou os elegantes tesouros oferecidos ao deus Apolo. Tudo isto no cimo de um vale de montanhas, entre as quais se destaca o monte Parnasso.

6. Masada (Israel)

A fortaleza de Masada, em Israel, no topo de uma montanha no deserto, alberga o antigo Palácio do Rei Herodes

A fortaleza de Masada, em Israel, no topo de uma montanha no deserto, alberga o antigo Palácio do Rei Herodes

THOMAS COEX

Foi no topo de uma montanha, com vista para o Mar Morto, que o rei Herodes, o Grande (73 a.C a 4 d.C.), decidiu construir a sua fortaleza, aproveitando as características únicas do local, inacessível. O luxuoso palácio contava com magníficos banhos termais - apesar de estarmos num deserto e de não haver água... Foi aqui, em 66-73 d.C., que a Revolta Judia contra Roma foi esmagada, com os últimos rebeldes (960) a cometerem suicídio em massa. Há muito para ver em Masada, que entretanto instalou um funicular para auxiliar os turistas na difícil subida. Grutas, igrejas e um portão Bizantinos (o último invasor), uma Sinagoga, cisternas, várias piscinas - algumas públicas - e vários palácios, além da sala do trono do Rei Herodes, são alguns dos elementos mais interessantes deste local com vestígios de várias épocas, que só foi descoberto em 1838 por americanos. É Património da Humanidade desde 2001.

7. Oplontis (Nápoles, Itália)

Toda a gente conhece as ruínas de Pompeia, mas a verdade é que a grande Villa de Oplontis, a uma agradável viagem de comboio de distância até à estação de Torre Annunziata, esconde belíssimos vestígios da erupção do Vesúvio, em 79 d.C.. A Villa de Popea, assim conhecida por ter sido supostamente propriedade da mulher do imperador Nero, terá tido como primeiro morador o pretoriano Marco Pupio Pisón, em 45 a.C.. A escala imperial de Oplontis, com uma piscina de dimensões olímpicas e belos jardins, valem bem a visita e ficará ao abrigo das multidões de outros locais.

8. Ostia (Itália)

A 30 km da capital italiana, encontra-se Ostia Antica, o antigo porto de Roma que ficou coberto de areia na Idade Média com o declínio do império romano. Ostia alberga vestígios em estado de perfeita conservação: um magnífico teatro, apartamentos ("insulae") do século 2 d.C., magníficos mosaicos e frescos da mesma altura, latrinas públicas e um altar a Átis, o deus frígio de vegetação. Os escritórios das empresas comerciais que trabalhavam a partir daquele porto também são dignos de visita: cada um tem um mosaico no chão com o logotipo do seu negócio - de elefantes a medidas de cereais.

9. Paestum (Itália)

Ainda em Itália, 100 km a Sul de Nápoles, ergue-se Paestum, que reúne alguns dos templos gregos mais bem preservados do mundo. Na origem, Paestum foi um dos muitos aldeamentos gregos no Sul de Itália, e três das suas pérolas consistem em grandes templos do século 6 a.C.: dois em honra a Hera e outro dedicado a Atena. Além destes, os túmulos pintados à mão - que incluem a famosa imagem do mergulhador a saltar para uma piscina - e belos frescos de época complementam a visita à província de Salerno, na Campania italiana.

10. Panteão (Roma)

O Panteão de Roma possui uma das maiores cúpulas do mundo, com mais de 43 metros de altura

O Panteão de Roma possui uma das maiores cúpulas do mundo, com mais de 43 metros de altura

© Stefano Rellandini / Reuters

É um dos ex-líbris de Roma. A "Casa de todos os Deuses", erguida pelo imperador Adriano no século II d.C., é das poucas estruturas romanas em que se pode entrar hoje e testemunhar o mesmo que há 19 séculos. Demonstração do poderio romano e das suas capacidades de engenharia, mantém nos dias de hoje a maior cúpula de cimento não reforçado do mundo, com 43,3 metros de altura. A vista do interior é estonteante. O mármore colorido das colunas e do chão foram trazidos de milhares de quilómetros de distância, sendo parte dos proveitos do império. O monumento foi sempre usado como igreja, dedicada a Santa Maria e os Mártires. É uma basílica menor da Igreja Católica e foi uma diaconia até 1929, procurando cuidar dos pobres e fazer caridade.

11. Timgad (Argélia)

Património da Unesco desde 1982, Timgad, na Argélia, era uma cidade romana nas margens do deserto do Sahara, estabelecida por volta de 100 d.C.. Fundada pelo imperador Trajano, a cidade de Timgad é particularmente interessante porque conserva bem o planeamento urbano típico dos romanos. Assim, é possível visitar o fórum, o teatro, vários templos (o de Ceres, de Saturno e de Mercúrio) e os mercados, além da tradicional zona de banhos e da zona de habitações. O Arco de Trajano e a biblioteca pública, uma das poucas sobreviventes do Império Romano, são duas das atrações mais interessantes.