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Lince ibérico morre atropelado

Hongo, um dos linces nascidos em Espanha que deambulava por Portugal há dois anos, foi encontrado morto na A23

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Hongo, o lince ibérico nascido em Espanha que desde 2013 deambulava por Portugal, foi encontrado esta quinta-feira atropelado na A23, próximo de Vila Nova da Barquinha, informa o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), em comunicado.

Durante os últimos dois anos, o macho de quatro anos fora avistado várias vezes numa zona de caça associativa perto de Vila Nova de Milfontes por técnicos do ICNF que o monitorizavam e por funcionários da herdade onde se instalara temporariamente. Mas há vários meses que deixara de ser visto e o colar emissor VHF, que permitia localizá-lo, parara de funcionar.

"O Hongo foi um espécime importante para a conservação do lince ibérico, pois comprovou a enorme capacidade da espécie para transpor barreiras e usar habitat menos favorável, bem como a conetividade entre os territórios de lince de Portugal e Espanha", sublinha o ICNF. Para a autoridade nacional em conservação da biodiversidade, Hongop "simbolizou também o bom acolhimento que a espécie tem junto da população em geral, e em particular dos caçadores, no regresso da espécie a Portugal e à sua área de presença histórica".

A morte deste exemplar por atropelamento rodoviário - a principal causa de mortalidade da espécie em território espanhol - leva o ICNF a sublinhar "a necessidade de continuar o trabalho de prevenção e sensibilização para uma condução responsável e segura nas nossas estradas".

Em parceria com a Infraestruturas de Portugal, o ICNF tem feito o levantamento dos "pontos negros dos eixos rodoviários com maior risco" de atropelamento de animais. E na área de Mértola, onde foram soltos 10 linces ibéricos, foi colocada sinalização específica.

Na região do Parque Natural do Guadiana continuam a deambular nove dos 10 linces ali soltos entre dezembro e maio últimos. Uma das fêmeas libertadas na área - Kayakweru - acabou por morrer vítima de envenenamento. Os outros continuam por lá, tendo alguns dispersado um pouco mais do que outros. Caçam gamos e veados, além de coelhos, revelando adaptação ao meio envolvente.

Em território nacional há ainda em liberdade mais dois exemplares do felino mais ameaçado do mundo. Kahn e Kentaro, nascidos no Centro Nacional de Reprodução em cativeiro (CNRLI), em Silves, tinham sido soltos em Castilla La Mancha, mas retornaram a território português este ano. A monitorização dos seus emissores de satélite indica que os dois exemplares andam atualmente pelo norte do país, na zona de Monchique e de Bragança.

"O comportamento destes dois linces ibéricos vem também confirmar o conhecimento de que um animal sem território definido pode percorrer grandes distâncias em apenas algumas horas", salienta o ICNF. Este instituto considera que "os desafios da conservação da espécie passam agora por consolidar a reprodução em cativeiro e garantir o sucesso da fixação de fêmeas reprodutoras em território nacional e a libertação de mais exemplares".