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Presidente do Governo espanhol diz que coligação PS-BE-PCP não respeita vontade dos portugueses

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Rajoy e Merkel durante o congresso do Partido Popular Europeu esta quinta-feira, em Madrid

ANDREA COMAS / Reuters

Centro-direita europeu continua a sair em socorro de Passos Coelho. Agora é Mariano Rajoy, depois de no dia anterior Durão Barroso e o presidente do Partido Popular Europeu terem criticado a aliança de esquerda em Portugal. “Gostaria e espero - isso é que é democrático - que Passos Coelho seja reeleito primeiro-ministro”, afirma Rajoy, que se refere ao Bloco de Esquerda como “o Podemos de lá”

O presidente do Governo espanhol considerou esta quinta-feira que uma coligação de esquerda em Portugal entre o PS, o Bloco de Esquerda e o PCP "seria negativa para os interesses de todos" e "não respeitaria" a vontade dos portugueses.

"Espero que as coisas [em Portugal] resultem razoavelmente. Seria a primeira vez na história - desde que a democracia regressou a Portugal - que não governaria o partido que ganhou as eleições. Uma coligação entre o Partido Socialista, o Podemos de lá [Portugal] e o Partido Comunista seria muito negativo para os interesses de todos. E sobretudo não respeitaria o que disseram os cidadãos", disse hoje Mariano Rajoy à entrada para o último dia de congresso do Partido Popular Europeu, a decorrer em Madrid.

Na cimeira da direita europeia - que recebe esta quinta-feira líderes como a chanceler alemã, Angela Merkel, o antigo presidente francês Nicolas Sarkozy e o ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi -, Rajoy recordou as posições contrárias à União Europeia dos dois partidos com os quais o PS está a negociar para formar governo.

"Há partidos que não querem o euro, não querem as regras da União Europeia e batalham sempre contra o que aprovamos na União. Insisto: eu gostaria e espero - isso é que é democrático - que Passos Coelho seja reeleito primeiro-ministro" em Portugal, reiterou o líder do executivo espanhol.

Rajoy enfrenta em dezembro umas eleições gerais em Espanha que podem traçar um cenário semelhante ao que se vive em Portugal: uma vitória sem maioria absoluta do PP (atualmente no poder), abrindo a porta a uma eventual coligação de esquerda entre os socialistas do PSOE, de Pedro Sánchez, e o Podemos, de Pablo Iglesias.

O presidente do governo espanhol destacou a dificuldade do trabalho de Pedro Passos Coelho e o esforço dos portugueses nos últimos quatro anos. "Ele passou por uma etapa de enorme dificuldade, o povo português fez um grande esforço e agora estão a seguir em frente. Houve um pouco de crescimento económico, também se está a criar emprego e seria uma pena retroceder agora e voltar ao passado."

Questionado sobre se já falou com Passos Coelho sobre o assunto, Rajoy explicou que tinha marcada para a manhã desta quinta-feira uma reunião com o ainda primeiro-ministro português, desmarcada devido à situação política portuguesa.

Também presente no Congresso, o comissário europeu para a Investigação, Inovação e Ciência, o português Carlos Moedas, disse que está a seguir com atenção a situação portuguesa e reconheceu que os colegas na Comissão lhe têm feito muitas perguntas sobre a crise política em Portugal. No entanto, escusou-se a fazer mais comentários sobre a política nacional portuguesa, afirmando que este não é momento para a Comissão Europeia. "As eleições em Portugal tiveram os resultados que todos conhecemos. Agora é a hora do Presidente da República, a hora dos partidos. Não é a hora da Comissão Europeia", disse Carlos Moedas, acrescentando que "a Comissão Europeia trabalhará sempre com todos os governos democraticamente eleitos".