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Voo Aer Lingus. Luso-angolana foi libertada mas continua a ser suspeita

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Polícia irlandesa continua a analisar o pó branco transportado pela passageira. Chegou a ser referido como sendo anfetaminas mas pode ser outra substância. A luso-angolana comprou o bilhete ao cidadão brasileiro que morreu por overdose no voo EI 485, diz a imprensa irlandesa

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A passageira luso-angolana de 44 anos detida após a aterragem de emergência do voo da Aer Lingus em Cork, este domingo, foi libertada depois de dois dias de interrogatório pela Gardaí, a polícia irlandesa. As autoridades consideraram suspeitos os quase dois quilos de um pó branco que transportava consigo na bagagem e chegaram a referir como sendo anfetaminas. Só que em vez de droga a substância pode ser bicarbonato de sódio ou farinha comum utilizada na confeção de alimentos, avança a imprensa irlandesa.

Ao Expresso, o gabinete de imprensa da Gardaí limitou-se a referir que o processo se encontra ainda em investigação e que a substância continua a ser analisada pelo laboratório. "O caso foi entregue ao Ministério Público", diz um porta-voz daquela polícia.

Segundo o diário "The Irish Times", que cita fontes policiais, a cidadã (que usa um passaporte angolano) comprou o bilhete de avião a John Gurjão, que morreu no voo EI 485 entre Lisboa e Dublin, no último domingo. O cidadão brasileiro de 24 anos tinha no estômago cerca de cem 'bolotas' contendo 800 gramas de cocaína, que valia mais de 70 mil euros no mercado paralelo. Uma delas terá rebentado, causando a sua morte por overdose durante a viagem.

John Gurjão iria estudar Inglês em Dublin, cidade onde a luso-angolana residia há alguns anos. Segundo o "The Irish Times", a polícia fez buscas no apartamento desta mulher de 44 anos, encontrando indícios de que ela prestaria apoio a jovens brasileiros que iam aprender a língua inglesa na capital irlandesa. Não se sabe se a luso-angolana tinha conhecimento que John Gurjão transportava a droga no organismo. Mas ontem, fontes próximas da investigação garantiam que os dois seriam cúmplices.

Entretanto, há um ano John Gurjão terá tentado entrar naquele país para estudar num curso de inglês, mas as autoridades deram parecer negativo, uma vez que o cidadão brasileiro não teria dinheiro suficiente para se sustentar.