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Juiz obriga Salgado a pagar mais €3 milhões para ficar em liberdade

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Luís Barra

Caução foi imposta pelo juiz Carlos Alexandre, apesar de o Ministério Público não ter exigido o pagamento de qualquer quantia. Salgado, que estava desde julho em prisão domiciliária sem pulseira eletrónica, já tinha pago caução do mesmo valor no ano passado. Advogado do antigo banqueiro reage com cautela

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

A Procuradoria-Geral da República (PGR) refere em comunicado que no âmbito das investigações relacionadas com o designado “Universo Espírito Santo”, em sede da revisão obrigatória das medidas de coação aplicadas a Ricardo Salgado, o Tribunal Central de Instrução Criminal determinou que a obrigação de permanência na habitação fosse substituída pela prestação de uma caução de 3 milhões de euros. O arguido fica igualmente sujeito à proibição de contactos com os restantes arguidos no processo e à proibição de se ausentar para o estrangeiro.

"Até ser proferido despacho que julgue válida a prestação de caução, o arguido permanecerá sujeito à obrigação de permanência na habitação", conclui o documento da PGR. O Expresso apurou junto de fonte judicial que o pagamento da caução foi imposto pelo juiz Carlos Alexandre. O Ministério Público não exigiu o pagamento de qualquer quantia.

Contactado pelo Expresso, o advogado do ex-banqueiro, Francisco Proença de Carvalho, é lacónico. “Qualquer decisão tem de ser analisada antes de nos podermos pronunciar, pelo que não lhe vou dizer nada sobre o tema neste momento.”

No ano passado, Salgado teve de pagar uma caução de valor igual - três milhões - para ficar em liberdade no âmbito do caso Monte Branco. Acabou por lhe ser determinada prisão domiciliária já este ano, aí no âmbito das investigações relacionadas com o denominado “universo Espírito Santo”.

Os crimes de que Salgado é acusado

A 24 de julho de 2014, Salgado foi interrogado no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) em Lisboa, após ter sido detido na sua casa, em Cascais, junto à Boca do Inferno, no âmbito da "Operação Monte Branco", que investiga a maior rede de branqueamento de capitais.

O ex-líder do BES ficou em liberdade mediante o pagamento de uma caução de 3 milhões de euros - o mesmo valor que agora lhe garante a liberdade. Em causa estava a eventual prática de crimes de burla, abuso de confiança, falsificação e branqueamento de capitais.

Já este ano, a 24 de julho de 2015, voltou a ser ouvido no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, relativamente ao processo do banco que liderou. Foi interrogado pelo juiz Carlos Alexandre durante 13 horas. Depois do longo interrogatório, Ricardo Salgado ficou sujeito à “obrigação de permanecer na sua residência”.

No âmbito do processo foram constituídos seis arguidos, estando em causa “a suspeita da prática” de sete crimes: falsificação, falsificação informática, burla qualificada, abuso de confiança, fraude fiscal, corrupção no setor privado e branqueamento de capitais.

artigo atualizado e corrigido às 20h55

  • A queda de um Santo

    Ricardo Salgado acaba mal e acaba só. O grande banqueiro era afinal péssimo gestor, arruinou um grupo familiar de 145 anos e saiu expulso do BES. Mas não há vazios de poder: quem dominará agora? Quem vai ser o Dono Disto Tudo? No dia em que se sabe que Salgado sai da prisão domiciliária mediante caução de €3 milhões, republicamos um trabalho de Pedro Santos Guerreiro que ajuda a perceber o colapso do poderoso grupo financeiro. O artigo do diretor-executivo do Expresso foi distinguido com o prémio de jornalismo económico Santander / Universidade Nova de Lisboa

  • Quem tirou o poder a Salgado?

    Guia onomástico para perceber como uma conjugação de inimigos derrubou o número um da economia. No dia em que a Procuradoria-Geral da República anunciou que Ricardo Salgado fica em liberdade mediante caução de €3 milhões, republicamos um texto que foi distinguido com o prémio de jornalismo económico Santander / Universidade Nova de Lisboa