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Enfermeiros defendem que pavilhão do hospital de Gaia com superbactéria deve fechar

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O sindicato dos Enfermeiros sugeriu, além do encerramento do pavilhão, que os doentes fossem transferidos para outro hospital, alegando que no Centro Hospitalar de Gaia/Espinho não há possibilidade de controlo porque o isolamento não é possível”

O presidente do Sindicato dos Enfermeiros defendeu esta quarta-feira que o Pavilhão Central do Centro Hospitalar de Gaia/Espinho deveria ser encerrado para impedir a disseminação da bactéria multirresistente que já contaminou mais de 30 pessoas.

“Fechar o pavilhão central e mandar os doentes para outro hospital foi a nossa sugestão”, contou à Lusa José Correia Azevedo, que disse ter hoje visitado aquela unidade de saúde e contactado com os enfermeiros.

O responsável assinalou que “a opinião deles [enfermeiros] é que não há possibilidade de controlo porque o isolamento não é possível”.

“As condições internas do hospital não prestam um isolamento eficaz e as preocupações são constantes”, realçou José Azevedo para quem o próprio estetoscópio que os médicos transportam ao pescoço durante o dia é um veículo de transmissão da bactéria.

O presidente do sindicato considera ainda ser importante “avisar as pessoas” que visitam parentes no hospital “para não mexerem em nada” porque “correm risco” de ficarem contaminadas com a bactéria multirresistente.

Contactada pela Lusa, a Coordenadora do Grupo Coordenador Local do Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobiano do Centro Hospitalar Gaia/Espinho disse que “não há qualquer indicação para o encerramento de todo o hospital ou do Pavilhão Central quando o surto está limitado e localizado”.

“Nas áreas clínicas onde foram identificados os casos, procedeu-se ao seu encerramento temporário até à obtenção dos resultados dos rastreios, assim como à desinfeção do ambiente”, explicou Margarida Mota.

Questionada sobre a preocupação dos enfermeiros, a responsável respondeu que “as infeções associadas aos cuidados de saúde são inevitáveis em um terço dos pacientes” e lembrou a sua função de “tratar de doentes”.

“É nossa obrigação prevenir as infeções, cumprindo todas as medidas de prevenção e controlo de infeção", assinalou, frisando que "não há motivo de alarme para a população, utentes e profissionais” uma vez que “os doentes estão devidamente identificados e sob medidas de isolamento estipuladas”.

O hospital de Gaia divulgou esta quarta-feira ter identificado mais quatro doentes colonizados (não infetados) com a bactéria multirresistente que já causou a morte a três pessoas.

Informou também que foram já criados sete quartos de isolamento individual, três enfermarias com capacidade de 11 camas na área médica e três enfermarias na área cirúrgica com capacidade de quatro camas.

Na passada semana, aquele centro hospitalar divulgou ter identificado, desde 7 de agosto, mais de 30 doentes portadores de Klebsiella Pneumoniae, uma bactéria multirresistente que terá surgido em consequência do uso de antibióticos, é de rápida disseminação, transmite-se pelo toque, sobrevive na pele e no meio ambiente e desconhece-se a sua durabilidade.

O hospital, que garantiu que a situação “está controlada”, suspeita que a origem do surto tenha sido numa doente que fez vários ciclos de antibiótico e que partilhou, no dia 29 de julho, a mesma unidade de pós-operatório com o primeiro paciente infetado.

De acordo com o relatório “Portugal - Controlo da Infeção e Resistência aos Antimicrobianos em números” de 2014, publicado na página da Direção-Geral da Saúde, Portugal apresenta elevada taxa de resistência bacteriana aos antibióticos, sendo “crescente” a resistência à bactéria Klebsiella, com valores superiores a países como Espanha, França, Alemanha ou Reino Unido.