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Voo da Aer Lingus. Brasileiro morto e portuguesa detida eram cúmplices

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Várias cápsulas com 800 gramas de cocaína foram encontradas no cadáver do jovem de 25 anos, que este domingo morreu no voo da Aer Lingus entre Lisboa e Dublin

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

A polícia irlandesa (Gardaí) está a investigar as ligações entre o brasileiro John Kennedy dos Santos Gurjão, que morreu no voo da Aer Lingus entre Lisboa e Dublin, no domingo, e a luso-angolana de 44 anos que foi detida no mesmo voo com 1,8 quilogramas de anfetaminas. O Expresso sabe que as autoridades estão convencidas de que os dois eram cúmplices.

Neste momento, a mulher está detida em Cork e continua a ser interrogada pela Gardaí. "O caso está a ser investigado", diz ao Expresso Jerry Cavanagh, do departamento de comunicação daquela polícia. As autoridades tentam também perceber se há algum tipo de relação entre os dois cúmplices com redes de tráfico de estupefacientes em Dublin.

O corpo de John Gurjão já foi entretanto analisado no instituto de medicina legal de Cork. "Encontrámos várias embalagens contendo uma substância, que foram removidas do cadáver", acrescenta a mesma fonte. Uma delas terá rebentado no interior do cidadão brasileiro durante o voo, o que terá causado o comportamento violento e depois a sua morte durante a viagem aérea.

A polícia irlandesa está a analisar o conteúdo das embalagens e prefere ainda não avançar com uma conclusão, mas o Expresso sabe que se trata de cocaína. Segundo o jornal "The Irish Times", havia 800 gramas desta substância no interior de 80 'bolotas' ingeridas antes da partida de Lisboa. Uma quantidade que nas contas do jornal valeriam mais de 70 mil euros no mercado paralelo. Uma fonte do "The Irish Times" garante que o jovem ia estudar Inglês em Dublin.

Entretanto, o jornal brasileiro "O Globo" revela que a família de John Gurjão foi informada da sua morte esta segunda-feira, através da embaixada brasileira em Dublin. A tia, Lourdes Gurjão, contou ao jornal que o sobrinho não informou a família que havia viajado para fora do país, e que em conversas por SMS dizia que estava em Macapá, no norte do país e no mesmo estado onde reside a família, o Amapá.

Após a notícia da morte, a tia suspeita que um namorado de John Gurjão possa ter convencido o sobrinho a sair do país, mas desconhece o motivo. Dois perfis do brasileiro no Facebook revelam que morava em cidades fora do país, como Puerto Ordaz, na Venezuela, e Barcelona, em Espanha.

Durante o voo da Aer Lingus, o cidadão brasileiro "ficou agitado" e violento, tendo sido assistido por um médico e duas enfermeiras que iam bordo. Gurjão foi levado para a parte de trás do aparelho por várias pessoas que tentaram acalmá-lo e imobilizá-lo. O cidadão brasileiro acabou por morder um desses passageiros na mão.

Devido ao episódio violento que se passava a bordo, o comandante do avião decidiu efetuar uma aterragem de emergência no aeroporto de Cork, no sul da Irlanda. Depois da aterragem, o corpo do brasileiro foi levado para a morgue e a cidadã com passaporte angolano foi detida pelas autoridades locais.

A vítima que foi mordida durante o episódio de violência acabou por ser levada para o hospital. Já os restantes 167 passageiros permaneceram durante duas horas no avião para serem interrogados pela polícia irlandesa. A maioria acabou por seguir viagem para Dublin de autocarro.

John Leonard, um dos passageiros que ia a bordo, descreveu o episódio ao "The Independent": "Foi horrível e muito violento. Morrer na parte traseira de um avião não é justo. O barulho que ele fez durante aquele ataque foi algo que nunca ouvi em toda a minha vida".