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Os melhores surfistas do mundo estão entre nós

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Pedro Mestre

Esta terça-feira arrancou em Peniche a 10ª e penúltima etapa do campeonato mundial de surf. As expectativas estão bem lá no alto: Mike Fanning, o surfista que foi atacado este ano por um tubarão na África do Sul, pode vencer o título mundial já em Portugal, e há três surfistas portugueses em prova

Helena Bento

Jornalista

É a pergunta que mais lhe têm feito nos últimos dias. Não há aqui, aliás, quem não a tenha feito. "Então, já se sabe se o Slater vem?". Francisco Spínola, responsável pela organização do Moche Rip Curl Pro Portugal, a etapa portuguesa do campeonato mundial de surf, já tem a resposta na ponta da língua. "Estamos à espera que ele venha, mas ainda não sabemos". O Slater é imprevisível, é conhecido por ser assim.

"Kelly Slater, a que todos se referem como a lenda do surf (foi campeão mundial 11 vezes e o mais velho surfista a vencer o título mundial, em 2011, tinha então 39 anos), ocupa atualmente o sétimo lugar do ranking, a uma distância considerável do australiano Mike Fanning, que pode vir a sagrar-se campeão mundial já em Portugal. Como as hipóteses de chegar ao título são poucas e desencorajadoras, Slater pode mesmo falhar a 10ª e penúltima etapa portuguesa do circuito mundial de surf, que arranca esta terça-feira em Peniche.

Se é pouco provável que isso venha a afetar a prova em si (Francisco garante que este campeonato tem tudo para ser grande), pode, no entanto, deixar alguns fãs de coração partido, habituados a ir a Supertubos ou outra praia nas redondezas - onde os surfistas são vistos muitas vezes a treinar - para ver a lenda indiscutível do surf sacar uma das suas manobras espetaculares, como aconteceu no ano passado, na praia do Baleal, durante a chamada janela de espera do campeonato. Mas Francisco Spínola não está preocupado e dá a entender que é preciso relativizar a coisa.

"O Kelly Slater há de reformar-se e o WSL [World Surf League] vai continuar. Antigamente as pessoas vinham muito para vê-lo, mas hoje já não é assim." Agora vêm mais para ver o John John Florence, o prodígio havaiano que, embora não esteja entre os 10 primeiros do ranking mundial, é considerado atualmente um dos melhores surfistas do mundo, e, mais do que a ele, para ver Gabriel Medina, surfista brasileiro e atual detentor do título mundial. "Na minha opinião, o Medina é neste momento o surfista que mais fãs traz à praia, sobretudo jovens, que o adoram", diz Francisco. Quem esteve presente na edição do ano passado lembra-se bem de como o brasileiro era aplaudido dentro e fora de água.

Outro dos assuntos de que se vai falando aqui é a despedida do surfista norte-americano CJ Hobgood, que ao fim de 17 anos seguidos no circuito mundial decidiu deixar o surf. Na conferência de imprensa realizada na segunda-feira, no hotel MH, em Peniche, o surfista de 36 anos recordou a primeira vez que veio a Portugal, em 2009, ano de estreia da etapa do circuito mundial em Peniche. "Foi como se estivesse num concerto de rock. Nunca tinha visto tanta gente", descreveu. Apesar de se retirar do surf (este é o seu último campeonato), duvida que venha a abandonar em definitivo este desporto. "A única coisa que eu sei fazer é surfar e acho que não seria boa ideia tornar-me engenheiro, por isso acho que vão ter de me aturar para sempre", disse com um sorriso quase infantil, e ouviram-se gargalhadas na sala, naquele que acabou por ser o momento mais interessante do encontro.

Na conferência de imprensa estiveram também presentes Mick Fanning, Owen Wright (terceiro classificado do ranking mundial), Gabriel Medina, Adriano de Souza (segundo classificado), e os portugueses Tiago Pires, Frederico Morais e Vasco Ribeiro. Os três foram convidados pela organização, depois de não terem conseguido a qualificação para o campeonato. É a primeira vez, aliás, que Vasco Ribeiro, campeão mundial na categoria de juniores, enfrenta a elite mundial do surf. Francisco Spínola reconhece a importância de ter nesta etapa "o melhor surfista português de sempre" (referindo-se obviamente a Tiago Pires, ou "Saca") e as "duas melhores esperanças" do surf português, mas não deixa de referir, pelo que tem visto na praia ao longo dos últimos anos, que o que as pessoas "gostam mesmo é de surf". Não duvidamos. Que venha ele então.