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Bloco acusa PSD/Madeira de recusar discussão de voto de solidariedade para com ativistas angolanos

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Manifestação em Lisboa pela libertação dos presos políticos

João Relvas/ Lusa

“O BE Madeira estranha esta estranha aliança entre o PSD Madeira e o regime ditatorial de José Eduardo dos Santos”

Os deputados madeirenses do Bloco de Esquerda criticaram esta terça-feira o PSD por ter recusado dar prioridade à discussão do voto de solidariedade para com os ativistas angolanos que estão detidos desde junho, entre os quais Luaty Beirão, em greve de fome há um mês.

O voto foi proposto esta terça-feira pelos deputados madeirenses do Bloco de Esquerda na reunião da Conferência de Líderes da Assembleia Legislativa da Madeira (ALM), o qual sugeria a sua discussão no plenário de quarta-feira "antes que algum dos ativistas em greve de fome sucumbisse".

Segundo a nota divulgada pelo BE/M após o encontro, a proposta foi rejeitada com os votos do PSD. Todos os outros partidos votaram favoravelmente.

"O BE Madeira estranha esta estranha aliança entre o PSD Madeira e o regime ditatorial de José Eduardo dos Santos e lamenta que não se dê a possibilidade de a Assembleia Legislativa se pronunciar em tempo útil pelos atentados em curso aos direitos humanos em Angola", afirma a representação desta força política no parlamento madeirense.

O BE/M considera que a ALM "deve condenar com veemência todos os atentados aos direitos humanos e não aproveitou, neste caso, a oportunidade de o fazer em tempo útil e oportuno". Os deputados bloquistas insulares concluem a nota perguntando: "Que interesses terão os grupos financeiros angolanos na região que impeçam o maior partido em ser célere na condenação destas atrocidades?".

A Lusa noticiou a 5 de outubro que o Ministério Público angolano acusou 17 jovens da preparação de uma rebelião e de um atentado contra o Presidente da República, prevendo barricadas nas ruas e desobediência civil que aprendiam num curso de formação, entre os quais Luaty Beirão, que está em greve de fome há 30 dias.

"Os arguidos planeavam, após a destituição dos órgãos de soberania legitimamente instituídos, formar o que denominaram 'Governo de Salvação Nacional' e elaborar uma 'nova Constituição'", lê-se na acusação, deduzida em setembro, três meses depois das detenções, à qual a Lusa teve acesso na altura.

Em causa está uma operação policial desencadeada a 20 de junho de 2015, quando 13 jovens ativistas angolanos foram detidos em Luanda, em flagrante delito, durante a sexta reunião semanal de um curso formação de ativistas para promover posteriormente a destituição do atual regime, diz a acusação.

Outros dois jovens foram detidos dias depois e permanecem também em prisão preventiva. Estão agora todos acusados - entre outros crimes - da coautoria material de um crime de atos preparatórios para uma rebelião e para um atentado contra o Presidente da República no âmbito desse curso de formação que decorria desde maio.

  • Haverá alguma coisa em que CDS, PSD, PS e PCP estejam de acordo? Sim, há pelo menos uma: o ensurdecedor silêncio acerca dos presos políticos em Angola. Não falei no BE de propósito, porque o Bloco, sim, condenou a situação em que o regime de Luanda deixa Luaty Beirão e outros 14 jovens, ridiculamente acusados de tentativa de golpe de Estado através da leitura de um livro. Algo que nem Orwell em 1984, Huxley em O Admirável Mundo Novo ou Ray Bradbury que escreveu Fahrenheit 451, obra que está na origem do admirável filme de Truffaut, se lembrariam