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Advogado de Sócrates aponta ao Ministério Público “violações grosseiras dos direitos de defesa”

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Luís Barra

João Araújo mostra-se indignado com o atraso na entrega das cópias dos autos do processo Operação Marquês, apontando que "não houve nenhuma dificuldade técnica para prender [José Sócrates], mas há dificuldade para digitalizar" os documentos. Defesa do ex-primeiro-ministro exige ainda o acesso às escutas de conversas de Sócrates e às informações bancárias prestadas pelas autoridades suíças

Um dos advogados de José Sócrates acusou na manhã desta segunda-feira o Ministério Público de "violar grosseiramente os direitos de defesa". Falando aos jornalistas à saída do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), onde tentou obter acesso aos autos da Operação Marquês, João Araújo disse acreditar que "as pessoas começam finalmente a perceber o grau de arbitrariedade com que o Ministério Público as trata".

Os advogados que representam o ex-primeiro-ministro (João Araújo e Pedro Delille) enviaram também esta manhã um novo requerimento ao DCIAP, no qual exigem o acesso não só aos autos principais da Operação Marquês, mas também todas as escutas de conversas de José Sócrates e às informações bancárias que foram prestadas pelas autoridades suíças no âmbito do processo.

João Araújo, que se tem mostrado publicamente crítico da atuação do Ministério Público no processo que conduziu à detenção de José Sócrates, libertado este sábado, lançou farpas à atuação tanto do DCIAP como do Ministério Público. "Esta violação dos direitos de defesa é muito complicada e ultrapassa largamente o âmbito deste processo", disse quando saía das instalações do DCIAP.

O advogado esclareceu que o DCIAP ainda não entregou os autos do processo, estando estes em processo de digitalização. João Araújo anunciou que embora não haja certezas da hora a que os documentos estarão prontos, voltará às instalações do organismo ainda esta segunda-feira, pelas 14h. O advogado aproveitou para criticar duramente o organismo: "Têm de limpar e anular tudo o que foi feito a partir de 15 de abril e, entretanto, andamos a calcorrear Lisboa em busca da digitalização".

João Araújo mostrou-se ainda indignado com o atraso na entrega das cópias, apontando que "não houve nenhuma dificuldade técnica para prender [José Sócrates], mas há dificuldade para digitalizar". "Estes documentos deviam estar digitalizados desde dia 15 de abril, ou se calhar nem deviam estar porque não há nada para digitalizar", declarou.

José Sócrates foi preso em novembro do ano passado, após ter sido constituído arguido no âmbito da Operação Marquês por corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. O ex-primeiro-ministro acabou por ser libertado este sábado e espera agora a acusação; no entanto, não pode ausentar-se do país nem contactar os restantes arguidos.